UM NEGRINHO

UM NEGRINHO
Na hora não dava para distinguir, pois ele estava escondido.
Digo negrinho porque ele era pequeno e muito preto, só dava para ver seus olhos brancos. Era um espírito que vive no carvoeiro, nas coisas que as pessoas guardam, sem uso.
Parecia estar agachado ou de cócoras. Ele veio junto de onde eu estava para minha casa e ficou ali na porta do mesmo jeito.
Sensação ruim, de algo que vai acontecer, pressentimento negativo.
Eu fui deitar logo, uma da madrugada e Zélia ainda ficou acordada. Daqui a pouco lá vem ela com sentimento ruim. Eu estava no meio do caminho quando me indagou. Eu falei sobre o negrinho, mas minha voz saiu distorcida. Ela não entendeu, mas eu já estava fora de mim.
Angical está chegando. É uma boa hora de ver e rever conceitos. Muitas vezes estes espíritos só podem passar em determinados trabalhos. Por isso foram criados tantos rituais diferentes. Prisão, julgamento, aramê, abata, alaba, estrelas, quadrante, mesa, tronos, enfim, cada ritual atinge um período de nossas reencarnações.
Este espírito eu diria que veio do lixo. Não sei porque ele estava ali, não tem lixão por perto.
Ele gosta de viver assim, do resto de coisas. Vejam bem, no resto de entulhos tem uma energia diferente, esquisita. Posso descrever como o invólucro de um presente. Quando alguém recebe um presente ele vibra no pacote ou na caixa uma energia brilhante que impreguina por fora. Ao guardar o papel do presente a energia leva algum tempo para se desfazer. Estes espíritos saboreiam aquilo como um manjar, um néctar.
Quando acaba eles ficam esperando mais. Vão criando casulos, pois são hospedeiros.
Um lar deve estar desimpregnado das coisas sem necessidade. Sei que muitas coisas são reutilizadas, mas o que não tem necessidade deve ser reciclado. Somente desmanchando ou queimando que retira a energia impregnada.
Quanto mais guarda mais eles gostam. É como se fosse um estoque de alimentos.
Bom, eu retirei este espírito de onde estava. No templo tudo se resolve. É para esta finalidade que os trabalhos existem.
Quem vê, vê. Quem não vê, não vê. Difícil explicar tudo isso.
Eu tive que entrar no campo vibracional para ver tudo.
Salve Deus
Adjunto Apurê
An-Selmo Rá
09.05.2020

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