TEMPO ANUVIADO

TEMPO ANUVIADO
Voltei por não ter sabido amar.
Ao deitar busquei o reflexo da minha alma e no cinza das nuvens densas voltei. Era um lusco fusco de imagens, gritos e ranger de dentes. No mundo que fui ainda os espíritos tradicionais morrem todos os anos na mesma data preservando a dura tradição. Era um elevado, uma dor profunda que cobria a terra, eram homens e mulheres em um desespero.
Fui arremessado a este período que condicionou o desfecho do início da era cristica. Era sombrio demais, era o fim do início. Não sei dizer ao certo sobre esta viagem ao passado em mais de dois mil anos. A volta do eu será em 2500 anos após o homem ter conseguido atravessar a nova era chegando ao seu estágio mais avançado que a ciência pode resumir.
Ao voltar ao meu sofá a janela ainda permaneceu aberta até que o nevoeiro espesso fechasse os meus olhos. O mundo fechou, se fechou, mas ainda eu estava em dois lugares.
Esta viagem me mostrou o quanto ainda somos perpendiculares dentro de um plano existencial. Vivi o sistema ou o sistema vive dentro de mim. Sim, o sistema vive dentro de nós. Cada tempo em seu templo íntimo refaz a velha estrada do eu.
Eu voltei ao elevado, a cruz do eu, vi e ouvi. Senti o resultado da consciência divina ser alterada na plataforma dos mistérios que carregamos.
Semana Santa ou Santa Semana. O frio da lança atravessada no corpo entregue ao céu sem a terra sob os pés. O respeito dos mundos paralelos transcendeu a figura do homem na sua peregrinação para nos reencontrar. Silêncio. Os mundos pararam. O tempo de ajoelhar-se está no fim de uma jornada escrita no banhar de sangue sob o silvo do chicote. A era cristica começou sem fim e só vai terminar com o recomeço da nova. Dois mil não passará e a três mil não chegará sem que o homem tenha plena ciência de sua evolução. Dois mil e quinhentos anos marcará a data do sol resplandecente fazendo a terra se curvar ao ciclo iniciático e sem medo atravessará de um lado para outro sem levar sua carta magna, sem limitações.
Tudo se fechou. O sistema foi criado. Nós somos este sistema. Nós somos a vida dentro das vidas a se amar ou a se odiar.
O nevoeiro se desfez. Eu voltei, agora eu sei.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An-Selmo Rá
08.04.2020

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