DOIS SACRIFÍCIOS

DOIS SACRIFÍCIOS
Comecei a perceber uma mudança de comportamento e ao me lançar para fora tive a certeza dos fatos.
Sai do físico e me escondi atrás do pé de limão, perto da elipse. Ao olhar distante vi dois cavalos marrons sendo sacrificados. Parecia que eles estavam aqui na rua do vale. Um deles empinou e caiu morto bem na minha frente e o outro saiu em disparada para o templo.
Era dia de trabalho no vale, que seria hoje, muitos espíritos aguardando a passagem. Eu olhei e percebi que todos estavam desarmonizados e tive que assumir o comando do dia. Busquei Tapir, mas os espíritos desordeiros bagunçaram toda a estrutura. Foi tanta pressão espiritual que ninguém se entendia. Eram espíritos passando por dentro da pira, comandantes sem saber o que fazer. Eu busquei as forças, mas os demais se perderam na execução do ritual. Fiquei sozinho no comando, mas eu sabia o porque de tudo isso. As várias tentativas de mexer com a nossa missão não é de hoje. A grande discriminação que passamos é a alternativa de fechar nossas portas.
Busquei Tapir, mas meus irmãos foram envolvidos na teia do desequilíbrio. Recebi Tapir e fiquei de honra e guarda no farol mestre. Eu, pela primeira vez, vi como agem as forças do mal. Elas vem pela vaidade do mestre, principalmente quando o médium está sem sintonia.
Cortei algumas emissões, eu não poderia deixar emitir sem segurança. Ao invés de curar poderiam matar ou morrer.
Se vocês vissem a algazarra que foi esta viagem teriam certeza dos fenômenos espirituais.
Cavaram um buraco para enterrar o cavalo morto. Era lá, mas a magia era aqui, como se o animal morresse aqui e fosse enterrado aqui na rua do vale. Os mistérios da ordem negra.
Agora o que me deixou apreensivo foi que se perderam nas suas missões. Talvez um pouco de vaidade, ou falta de sintonia.
A seriedade desta viagem com destino certo me deu certeza das articulações do vale das sombras. Triste, muito triste em ver o assédio espiritual em cima dos filhos de Seta Branca. Na nossa missão não deveriam acontecer os desvios de conduta, a falta de disciplina. Somos uma força decrescente e cada um recebe na sua individualidade o caminho da verdade. Quem não estiver na contagem ta fora e perde o que recebeu.
As forças de Simiromba de Deus não são para se brincar, são para responder no seu sétimo a sua condição de mestre. Quem brinca com fogo acaba um dia se queimando. Ele vai se habituando e acostumado perde a segurança e aí acontece.
É como num começo que faz tudo certinho, com o tempo vai relaxando. Está é a porta da tragédia.
Eu não podia seguir em frente com a baderna espiritual. De honra e guarda fiquei até o raiar do sol. Ainda é cedo, mas vou ter que acertar a missão de hoje.
A grande discriminação que sofremos por um povo pagão. São raízes profundas plantadas a sete palmos. Os filhos de Seta Branca estão sendo retirados deste círculo negro e olha que não são muitos. A missão da verdade é a mais difícil que já vi. Estão vindo para o templo receber suas comendas. Geralmente os filhos da verdade sofrem um profundo desgosto e quando aqui chegam sentem a felicidade voltar.
Vou ter que rever meu projeto espiritual. Eu não brinco de jaguar.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An-Selmo Rá
22.02.2020

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