MASSACRE

MASSACRE
Eu nunca vi espíritos tão revoltados.
Com o trabalho de indução cabalística os espíritos atingidos demoraram um pouco para reagir. A reação deles nesta noite foi porque quebrou a ligação temporal deles com a nossa missão. A pressão estava tão grande em cima que estávamos sendo massacrados pelas vibrações.
Foi, então, que vieram fazer o que não conseguiram. Vieram tomar satisfação de mim. Eu os vi como lobos famintos em algazarra. Fui cercado, fiquei ali no meio deles que em círculo de mãos apertadas faziam seu ritual.
Fechei minha guarda, minhas espadas, e vibrei contra a maldição. Este povo não quer nossa missão aqui nesta cidade, porque estamos tirando a liberdade do mal.
Eu olhei no rosto de cada um e vou pedir ao Pai Seta Branca que tome conta. Impossível uma doutrina de luz ser enegrecida por seres que se perderam nas suas convicções.
Eles vinham e só não cuspiam em mim porque eram espíritos sofredores encarnados. O resto nem preciso contar.
Como foi difícil este reencontro sem hora marcada. Fui pego no contra-pé, mas enfrentei esta provação. Sou jaguar, sou filho de Seta Branca, sou doutrinador e nada temerei.
Na realidade a gente fica com um medo danado, porquê temos família, temos nossos motivos de precaução. Eu fico calado vendo as manifestações dos encouraçados. Por isso o silêncio é uma arma poderosa, ninguém precisa conhecer o que acontece no seu mundo. Quando pensaram te conhecer você sai pela tangente.
Esperteza de jaguar. Saber onde e como sair dos enroscos. Sim, pai João de Aruanda me avisou para tomar cuidado com o que estava vindo. A maldade humana é bem pior que as dos espíritos. Eles se endividam e depois saem propagando vitória. Lá na frente verão os erros, mas já é tarde para voltar.
Vou alimentar meu espírito para energizar meu comando no astral. Sem energia travamos nossa missão.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An-Selmo Rá
17.02.2020