LEMBRANÇAS DE UMA VIDA

LEMBRANÇAS DE UMA VIDA
As boas ações ficam registradas pela eternidade.
Voltei por amor. Voltei em uma encarnação para rever uma ação que hoje me foi revelada. Era na casa grande. Havia uma família que trabalhava na fazenda e tinha um filho, uma criança que corria pelo quintal e nos visitava diariamente. Neste dia eu senti falta dela e uma coisa ruim percorreu meu coração. Olhei da varanda para o casebre mais abaixo, estava tudo quieto, mas algo me dizia para ir lá. Corri, pulei a cerca e ao chegar na casa não havia nada. Olhei em volta e vi a tampa do poço aberta. Meu Deus! O poço! A criança! Corri para lá e ao olhar para dentro vi a criança tentando viver. Ao lado havia um balde amarrado numa corda, joguei, era fundo, gritei com força, entra no balde. Com o grito o pai da criança correu desesperado, mas eu já estava com ela nos braços. Foi um desespero, nossa, aquele pai gritava chorando agradecendo, e tão logo outras pessoas foram chegando. Correram com ela para agasalhar, estava rocha de frio pela água gelada.
Eu ainda chamei na razão o porque da tampa aberta.
_ foi descuido meu senhor!
Falou o pai. Eu subi de volta para a casa grande e agora sem aquela sensação ruim, com o coração leve. Aquele menino travesso corria por tudo, ele era livre. Eu gostava dele, tirava a monotonia da grande casa. Uma criança muda um coração.
Minha intuição já me preparava para meu sacerdócio, eu sempre prescrutava as almas que perdidas procuravam um caminho. A intuição, a mediunidade sempre acompanhou os seres humanos, mas o tempo fechou as ligações com os planos.
Muitos ainda ficaram com a meia porta aberta e estes sofrem em dobro. Nem lá e nem cá. Somente servindo de mediador a pessoa se sente feliz. Não adianta nada correr contra o tempo, se não praticar a caridade nunca será feliz. Isso está no destino, no sangue, no coração e no juramento transcendental.
Eu vivo preso em duas dimensões, vivo os dois mundos, sofro as intempéries da terra e do céu. Sou cobrado, sou livre, sou missionário.
Em uma vida eu fui um curador, eu tinha uma missão, eu exercia o poder que Deus havia confiado, eu curava as pessoas pelo benzimento. Muita gente encontrou a cura, muitos saiam da minha tenda renovados. Eu tinha um dom, era essa a minha chave.
Voltando a casa grande, a criança, tava tudo bem. Sentei na cadeira na varanda e fiquei olhando para ela brincando na pequena casa. Eu agradeci a Deus por ter me dado uma dádiva, algo que ajudou a salvar o pequenino.
Esta caridade me ajudou muito na transição do meu espírito. Agora voltei com uma missão, ajudar aqui no amanhecer os que buscam respostas para seus ais.
Ninguém pode julgar alguém pela face.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An-Selmo Rá
22.01.2020

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