CANAL VERMELHO

CANAL VERMELHO
Eu nunca tinha visto uma movimentação tão grande como desta noite.
As filas de chegantes eram enormes, nem malmente saia de uma e já entrava em outra. Eu cortava estas filas com um laço de corda nas mãos. Estava procurando um espírito que estava infiltrado e trazendo discórdia, mas eram tantos que eu tive que procurar em todos os departamentos. Afinal um me reconheceu:
_ Fernando!
Só que eu o vi como um boi zebu. Ele no começo era um homem e ao me ver se transformou. Veio para meu lado. Era uma pracinha, ali tinha um homem sentado que chamou este espírito. Ele, o zebu, tomou a direção dele e eu consegui seguir em frente. Não sei como terminou o encontro dos dois, até porque eu tinha outra missão.
Uma coisa que me chamou atenção, era um mentor disfarçado de um ser comum. Ele me deu a chance de ir embora.
As filas eram de chegantes da terra. A programação estava confirmada de quem iria passar para o outro lado. Na primeira casa transitória eram selecionados os que seguiriam para outra. Era a rodoviária universal. Ali os missionários se desdobravam em mil para dar conta de atender a todos.
Eu segui com meu laço em mãos. Esta viagem me mostrou o quanto a terra ainda está sujeita as intempéries dos homens. Mesmo já no terceiro milênio a doença do coração ainda bate forte. Uma eternidade perdida, um desencontro marcado pelos lobos em pele de carneiro.
Ao passar pelo canal vermelho nesta imensidão espiritual eu diria que os encarnados poderiam mudar seus destinos. O que falta é amor pelo próximo. Falta respeito pelas suas ideologias, falta verdade.
Voltei, cumpri minha missão. Trouxe de volta meu laço magnético, não tive como usar. Recebi muita ajuda dos nossos Santos e Anjos Espíritos. Aquele sentado no banco da pracinha era São Miguel Arcanjo. Ele me ajuda muito nestas viagens pelo mundo dos espíritos.
Os homens de boa vontade podem mudar o mundo, basta querer.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An-Selmo Rá
08.01.2020

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