UM ESPÍRITO

Como a gente é pego de surpresa, por isso a sintonia deve estar afiada.

Estava chegando em Campo Largo, agora a tarde, quando um espirito estava na entrada da cidade me esperando.

_ Mestre Fernando! Sou eu! Mestre Henrique!

_ Salve Deus!

Falei para minha esposa, só não disse o nome, não queria atrapalhar a conversa. Ele veio acompanhando até aqui no vale. Acabei que me esqueci dele e agora a pouco ele tocou no assunto.

_ Mestre, eu ainda estou aqui! Esqueceu-se de mim!

A verdade, sim, eu havia me entretido com outras coisas e acabei saindo da sintonia. Eu estava descascando um cupuaçu, só quem conhece esta fruta sabe o que é retirar as sementes, e isso me tomou tempo, porque tive que congelar para poder cortar mais fácil. Aí congelado dói os dedos, porque é muito liso.

_ Mestre eu venho vos pedir ajuda! Está muito difícil esta passagem! Estou triste por ter me recolhido em minha personalidade e me afastado de minha missão! Agora eu vejo que perdi o caminho que jurei a Seta Branca!

Este mestre morou aqui no vale de Campo Largo, Paraná. Ele ficou um ano esperando um reencontro o qual eu havia lhe dito em uma visão, de uma mulher estrangeira que viria ao seu encontro. E depois de um ano aqui chega uma moça que veio do Japão para reencontrar seu amor. Os dois ficaram juntos e depois que foram embora daqui do vale foram morar longe. Ele largou tudo, largou até sua missão para viver este amor.

Eu compreendo que a vida é uma caixinha de surpresas e quanto mais chocalha mais mistura acontece. Os caminhos são vidas paralelas de um amor jurado no passado onde uma espada ultrapassou o coração dele e ali mesmo no chão juraram se reencontrar um dia. Eis que tudo voltou a tona, somente um olhar desvendou o enigma de outra vida.

Este mestre doutrinador não acreditou muito e só foi aceitar quando a mulher apareceu de repente aqui no vale. Eu fiquei só vendo este quadro de surpresas se definindo pelo compromisso das juras. Um amor não é para ser ignorado, mas eu não falo do amor delinquente, eu falo do amor que nos une a um compromisso. Vejo muitos casais se separando por pequenas falhas não dando tempo de acertar estas distorções e aí, mais tarde, vem à saudade, vem o desejo e vem à cegueira invadir os pensamentos.

_ Mestre Fernando! Peça ao Pai Seta Branca por mim em suas preces! Eu estou aflito, estou só, estou perdendo minha fé! Ninguém me ouve e meus mentores não estão mais comigo! Isso porque eu abandonei minha missão!

_ Salve Deus! Veja, você está onde esteve há muitos anos atrás! Você está aqui no templo do amanhecer, está onde não deveria ter saído! Mas o livre arbítrio faz parte de cada um! Cada qual faz do seu caminho a sua sentença!

_ Eu sei e me arrependo muito! Fui para o budismo pensando estar certo! Fiz rituais e rituais para agradar meu destino e me compliquei ainda mais! Esqueci que sou filho do sol! Hoje eu vejo quantas coisas erradas à cegueira nos faz cair em provações! Estou aqui pedindo sua ajuda! Se puder me ajudar!

_ Salve Deus! Na voz da razão eu não posso fazer nada! Agora na voz do amor eu vou registrar seu nome no templo!

Assim ele se aquietou e foi sumindo de minha visão. Muitas vezes a gente quer ajudar e acaba carregando a cruz dos outros que não seguiram seus caminhos. É muito fácil depositar um compromisso nas costas do seu irmão e sair cantarolando como se não devesse nada. É a mesma coisa que um paciente quando atendido em um centro espiritual e ele paga pelos trabalhos. Ele acha que pagando não foi ele quem fez. Vejam o erro grotesco em pensar que dinheiro paga o carma. Nenhum dinheiro da terra pode tirar seu carma, nem aqui e nem no mundo invisível.

Foi então que recebi esta visita. Eu não esperava, eu estava dirigindo meu carro com minha esposa quando ele chegou.

Assim são os reencontros da vida nestas vidas. Umas aqui na terra que todos veem e outras nos mundos de Deus que ninguém vê. Somente sentem saudades de algum ente, amigo ou quem cruzou seu caminho, mas não se ligam pela força de uma comunicação.

Salve Deus!

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

18.10.2019

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