FESTA OU MISSÃO

FESTA OU MISSÃO
Eu já escrevi sobre as festas pagãs, tempo vivido, tempo perdido.
Somente quem viveu o apogeu desta vida desregrada pode afirmar o envolvimento sexual, desejos, insinuações e prazeres da carne. Ciganos, meu povo querido cigano, quisera Deus o despertar da consciência divina mostrasse quantas dívidas assumidas, quantos carmas envolvidos.
Eu fui cigano, fui e vivi junto com Natacha e outros ciganos que percorreram as planícies em busca de suas origens.
Agora eu vejo estas festas com certo preconceito, amargura, me vejo ali escravizado pelos espíritos se assediando. Carma com carne.
Na minha pobre visão me perco nos olhares cínicos que exploram a crendice popular. Eu me vejo lá estando aqui. Seria até vulgar me atrever a dizer quem eu fui, quem eu sou. Na liturgia pregamos a transformação do homem na linha deste amanhecer, mas não vemos as velhas estradas se abrindo, engolindo, separando o principio dos princípios.
Será que eu estou errado, será que todos estão certos. A vida missionária está se tornando vulgar, pois até os exus e pomba giras dançam lançando seus encantos. A quem recorrer pela verdade suprema, a quem pedir socorro.
Nós represantamos o cristo em sua eterna caminhada para nos reencontrar e ao ele chegar estamos dançando em volta da imagem criada em ouro. Orai e vigiai, vocês nunca saberão o dia de sua chegada.
Sabem, eu nem olho estas festas, me sinto mal, sinto que estamos errando mais uma vez. Talvez por ter vivido esta vida o meu eu sente os efeitos desta passagem.
Eu não culpo ninguém e não julgo, mas eu conto o que eu sinto. Talvez todos estejam plenamente corretos o único errado esteja se atrevendo a falar.
Katshimoshi a verdade em lágrimas. O talismã, brasão, está vibrando.
Quem viveu esta vida sempre estará do outro lado do lago.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An-Selmo Rá
12.10.2019