ORDEM FRANCISCANA

ORDEM FRANCISCANA
Fui muito bem recebido.
Fui visitar uma ordem franciscana e o Frei responsável por ela é profundo conhecedor do nosso amanhecer. Eu fiquei surpreso com suas palavras. Sabia até cantar os mantras.
Ao chegar neste complexo, mosteiro, todos vestidos de túnica marrom ocre escuro faziam suas meditações enquanto o frei me atendia. Todos foram cordiais e não me estranharam pelo fato de eu ser de outra linha. Eles entenderam também que eu era filho de Francisco de Assis. Ao conversar com este missionário ele disse ter conhecido Mário Sassi que o levou até Tia Neiva e pode conhecê-la.
No interior deste lugar, eu não sei como comparar, mas era enorme, muitas repartições, estávamos no refeitório quando eles vinham conversar. Teve até um que tinha defeito na mão direita e ao me cumprimentar peguei no braço, sua mão estava travada.
Voltando para o Frei, eu via e sentia que ele sabia muito ao nosso respeito, ele ficou anos infiltrado sem ninguém saber. Somente Mario, depois de anos soube por ele.
Estávamos conversando de repente ele começava a cantar de improviso um mantra nosso. Eu sorria, nunca pensei em conhecer alguém tão perto de nossa caminhada.
No refeitório eles não tiravam os olhos de mim, acho que estavam surpresos, mas tudo em silêncio, somente o mantra que o frei cantava. Aquele mantra parecia acalmar mais ainda o ambiente: Divino Seta Branca e outros que pareciam perfumar aqueles espíritos.
Eu senti o aroma dos mantras, incrível jaguares, nossos mantras tem aroma com a entonação da voz. Doutrinador são de rosas do jardim das princesas. Muitos aromas eu não identifiquei, eram divinos, teve um que era madeira do oriente, outros das matas como da mescla.
Eu fui ter uma aula de natureza com estes capuchinhos. Entender o significado evolutivo de nossa missão. Se eles nos respeitam porque aqui este povo não se respeita. Aqui se tornou um exército de inimigos, cada um faz o que quer e pensa. Isso pela falta de um comando que integrasse o respeito pela força decrescente. Vão todos se matar espiritualmente.
Eu vi com meus olhos a hierarquia destes missionários. Se tratavam com amor e respeito. Cada qual tinha seu afazer e todos se ajudavam.
Eu reparei que este frei tinha sua túnica bem engomada e passada com esmero valor. Para ele essa indumentária representava Francisco na implantação da humildade durante sua existência.
_ Francisco meu irmão, Seta Branca vosso pai!
_ Salve Deus!
As nossas roupagens espirituais não são as mesmas de hoje, são de outrora quando marginalizados pelo basto brilho empunhamos o vil metal.
Tia Neiva conseguiu esconder as espadas de seu povo entregando seus olhos a Jesus.
Voltei. Cheguei em casa pelas quatro da madrugada com um bem estar de uma viagem única. Conheci amigos que já nos conheciam, surpreendente como tudo acontece. A cada noite eu conheço os mistérios revelados pela espiritualidade. Cada viagem é um lugar diferente, nunca na minha vida escrevi tanto, são mais de seis mil relatos. Tudo isso para ilustrar meu acervo, formar minha opinião dentro da individualidade. Eu conto isso para despertar um mundo asfixiado pela falta do oxigênio espiritual.
O Frei se despediu cantando outro mantra. Agradeci a todos pela recepção.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An-Selmo Rá
30.09.2019

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