POVO INDÍGENA

POVO INDÍGENA
Um caminho diferente.
Aqui, em volta do templo, uma grande tribo espiritual de índios do xingu assentou seu povo numa espécie de consignação. Só que esta noite aconteceu algo estranho, eu peguei alguns deles retornando para as matas. Eles haviam saído da tribo e ido para a cidade. Ao voltarem, eu estava averiguando barulhos de conversas, quando dei de cara com eles. Alguns eu já conhecia, pois eles trabalham no templo se espiritualizando. Cheguei bem na hora que pulavam para dentro da área do vale. Alguns já estavam dentro do pajé e estes eram retardatários.
_ Quem são vocês! O querem e porque estão pulando sem autorização!
O índio mais velho tomou a frente e veio se explicar.
_ Nós moramos aqui! Caiapó nosso chefe nos trouxe para cá! Estamos aqui nas matas!
Cacique Caiapó é um grande amigo, desde criança ele me acompanha quando ainda nem entendia sobre espiritualidade. Depois chegou, 1984, numa sessão branca em Brasília. De lá para cá muita coisa aconteceu.
_ Vocês sabem que não devem sair das matas e ficarem zanzando pela cidade!
_ Nós sabemos, mas queríamos conhecer a cidade do homem branco!
_ E porque levaram os pequeninos junto!
_ Eram eles que pediram!
Conversamos sobre a responsabilidade deles terem vindo para cá e se perderem pela facilidade dos caminhos do homem branco.
Aqui ninguém é escravo de ninguém, mas a cidade está cheia de lobos famintos. É muito fácil perder a linha, pois ninguém respeita o índio na sua forma singular.
Eu fiquei de honra e guarda para ver se algum espírito os havia seguido enquanto minha ninfa seguia com eles para dentro da mata. Ela entrou na mata e tão logo voltou correndo, entrou em casa como um raio. Entrei e fui saber o que aconteceu.
Estava assustada e não conseguia falar, deixei se acalmar, pois o medo trava as pessoas.
Caiapó não estava na tribo, nem sei por onde andava, por isso eles acabaram saindo da área templária. Quando o cacique está presente todos respeitam suas palavras. Mas eram somente alguns curiosos, a maioria não se deixa contaminar pela visão do mundo material.
Este pequeno grupo desrespeitou as ordens e tão logo deverão prestar contas do ocorrido. Eu não vou falar, mas a tribo viu que eu vi. Na dúvida que eu fale eles falarão a verdade.
São espíritos inocentes que podem cair nas garras dos caçadores.
Ao passarem por dentro do pajé sumiram na mata. Eu fiquei mais tranquilo, mas minha ninfa não, ela viu algo e o medo não a deixou falar.
Tão logo vou saber, as coisas sempre se esclarecem, tudo vem a tona.
Vou conversar com Cacique Caiapó assim que tiver oportunidade. Muitos índios vem para a cidade em busca de recompensa material, fazem cestas de bambu dentro de barracas de lona preta e saem vendendo. Aqui não se respeita este povo. As crianças ficam nos sinaleiros como pedintes.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An-Selmo Rá
20.09.2019

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