MÃE DE SANTO

MÃE DE SANTO
Nós do Amanhecer respeitamos todos, todas as linhas e credos, até os que desacreditam.
Esta mãe de santo veio bater aqui no vale esta madrugada. Ela queria ascender um charuto para firmar ponto. Eu a vi daqui e fui falar com ela.
_ Salve Deus! O que a senhora deseja!
_ Eu vim buscar o que é meu! Os meus cavalos vieram pastar neste terreiro! Vou levá-los embora!
Salve Deus! Você sabe que ninguém é escravo de ninguém! Cada pessoa é dona do seu livre arbítrio, do seu destino! Aqui todos são livres para escolher o melhor para eles!
Ela ia baforar seu charuto e eu não deixei.
_ O senhor falou que todos são livres e está me proibindo de ascender meu charuto!
_ Tem coisas que a senhora não compreende! Aqui, primeiro tem o respeito, segundo eu não fui no seu terreiro me intrometer com sua linha! Terceiro, você está pisando em solo sagrado!
Ela arregalou os olhos e meio desconfiada foi guardando. Conversamos muito a respeito da ciência espiritual, porque ser espiritualista não é somente se tornar escravo dos espíritos. É ter conhecimento de tudo que se refere aos mundos de Deus.
Eu senti que ela é bem leiga no aspecto de uma maior abertura espiritual. Ela conhece os pontos de sua linha, fala dos exus com facilidade, mas fica somente neste ponto.
Eu a respeitei e ela passou a me respeitar. A maior conquista está no conhecimento e não no sentido abstrato. Ser médium por ser todos podem, mas ter um desenvolvimento que resulte num resgate milenar somente os que dominam o dia e a noite.
Sentados ali na pracinha eu escutava seus pensamentos, invocava seu povo, só que os cavaleiros de Oxóssi não deixavam ninguém se aproximar. Ela se sentiu só, perdida, porque nós somos a linha cristica. Aqui quem escreve o roteiro são entidades de grande hierarquia.
Ela ainda se sente dona dos seus cavalos e estes ainda estão sob seus domínios. No amanhecer, o médium que senta naqueles banquinhos para desenvolver, vem com sua meta definida, suas juras transcendentais. No terreiro desta mãe de santo os mesmos cobradores espirituais trabalham como entidades e fazem suas cobranças diretamente em seus corpos. Não existe separação, todos se deliciam do banquete.
Quando o assunto terminou ela foi embora, saiu pela porteira como entrou, só que levou um pouco do nosso conhecimento.
Lá todos são escravos, aqui todos são livres. Livres para dentro do conhecimento espiritual se evoluirem e receberem dos Santos e Anjos espíritos a sua bênção.
Como disse Seta Branca, amar o anjo e o demônio sabendo distinguir suas origens. Cada qual em sua formação.
Fiquei observando ela subindo a rua do vale. Lá em cima ela parou, colocou suas mãos na cintura e olhou para trás.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An-Selmo Rá
09.09.2019

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