SEU TRANCA RUA – PARTE 93

Tal pai, tal filho!

Foi uma luta desigual, mas diria que a armadilha não deu certo.

Chegou aqui um povo para nos visitar. Eles vieram de muito longe. Queriam conhecer a natureza, já que de onde vieram não tem. Eram muitos idosos, anciãos, mas tinham vitalidade de um jovem. Fomos então para as matas aqui em nosso Vale dos Deuses. Entramos e como tinham curiosidade, olhavam, tocavam, sentiam.

Chegamos num barraco no meio da mata e eles queriam conhecer como moravam as pessoas na terra. Só que foi um erro muito grande meu em não reconhecer quem era dono. Era o filho deste homem que tanto quer nos destruir. E olha que eles foram do vale, mas a ganância pelo dinheiro os fez caminhar pelo deserto da maldade.

Eu mostrei aos visitantes tudo e aos poucos eles foram compreendendo. Dentro da casa parecia vazia, mas numa dependência havia um chapéu branco em cima da mesa. Sabia que o dono estava por perto, era uma questão de tempo. Espiritualmente ele chegou com sua falange e ali foi o começo de uma batalha. Eu tentei sair, mas ele me viu e vibrou tanto que senti um choque na cabeça. Alguma coisa me segurou e então colocou seu chapéu e logo invocou as forças do exu Zé Pilintra. Chegaram muitos espíritos prontos para enfrentamento. Todos com armas em mãos, eram facas, punhais e outras coisas mais.

Este filho de um pai tentou me esfaquear. Me lembrei das palavras de Seta Branca: nem um fio de vossas cabeças. Criei uma coragem e fui me defender. Vieram todos daquela falange atrás, tinha até uma pomba-gira com sua adaga. Nenhum deles me atingiu, mas foram atingidos. Eu nem sei como criei tanta coragem, pois eles vinham de todos os lados.

Foi uma luta de vida ou morte. Sabem que os espíritos também morrem!

Minha esposa sentiu a confusão, ela queria gritar, mas sua voz ficou engasgada na garganta. Eu a ouvia pedindo ajuda aos mentores. Não sofri nenhum arranhão. Eu diria que venci mais esta batalha.

O pai deste filho fez um pacto com o tranca rua o filho com o zé pilintra. Tudo para me matar, para tirar esta casa de Seta Branca desta cidade. Não senti medo, mas fiquei constrangido de saber que estão tramando contra nossa missão.

Acordei minha esposa para ela se recompor e voltar a estabilizar seu espírito.

Os visitantes não viram a confusão, eles haviam partido antes. Era um povo diferente, eram tranquilos, estavam em missão de reconhecimento. Eu diria que teriam uma idade entre 300 ou 500 anos. Acho que de onde vieram seja esta contagem de tempo. Aqui para nós chegamos aos 100 anos, menos ou mais, dependendo de cada encarnado.

Voltei para a casa do nosso pai. Os espíritos não conseguiram aplicar suas leis aqui. Leis que ferem os preceitos cristicos, que não obedecem a Deus. São foras da lei.

Agora, os caminhos desta família no endividamento cármico será cobrada até os últimos dias. Principalmente se tratando de uma casa de Seta Branca. Nosso pai está aqui, ele está vigilante com todos nós. Eu acredito muito, por isso minha luta não é em vão.

Trago minha herança de mundos afins. Eu nunca desisti de uma batalha. Agora luto pela vida resgatando os espíritos perdidos em suas angústias. Como Arthur eu jamais deixei minha espada cair. Criei os cavaleiros da tábula redonda, vivi os encantos do reinado, e a magia de Avalon. Por todos os caminhos que percorri deixei saudades. Deixei um pouco de mim que agora estou resgatando.

A vida é uma eterna sequência de fatos e atos. Para se ter uma porta aberta tem que abrir seu coração. Tirar o calvário e limpar a terra. Somos magos e não fantoches. Não viemos para ser espantalhos de uma obra tentando espantar o mau agouro.

Regressamos e assumimos nossa roupagem.

Salve Deus!

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

02.07.2019

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