A MULHER DO CASARÃO



Nunca é tarde para mudar.
As muitas visitas, as palavras de amor mudou a vida desta senhora egocêntrica. Ela tinha um grande casarão, tudo era maravilhoso, até que um dia as coisas foram acontecendo com a perda de seu marido, de seus filhos. Aquele coração endureceu e até a natureza sentiu. Tudo que era colorido ficou cinza, a vida desapareceu aos poucos. Entre amarguras e lamentos ela criou um caminho difícil. Quase não saía mais, vivia presa no seu testemunho.
Comecei um longo trabalho de recuperação, apresentava-me como um conselheiro, alguém que se juntou a sua descrença. Por onde ela passava o solo gemia, não por ódio, mas pela energia emanada. Ninguém da vizinhança gostava mais dela, todos a discriminavam. E isso foi contaminando mais e mais aquela vida.
Aquele casarão seria seu túmulo, porque sentada frente a lareira com parco fogo quase não se alimentava. Uma Velha cadeira maciça, pés no banquinho, um cobertor enrolado e muitos gemidos silenciosos. Olhos cerrados se percebia imagens a correr de um lado para outro. Seriam as lembranças do passado, mas o que importa se não tem futuro.
Cheguei atrás da cadeira, uma leve brisa soprei sobre sua cabeça, ela sentiu, mexeu seus cabelos brancos.
_ É você meu marido! Você finalmente veio me buscar!
Silêncio, sim, não havia condições de mostrar a verdade. Foram muitas visitas até que ela sentisse segurança e se deixasse acreditar no bem.
Com o passar do tempo aquele sopro passou a ter som e com isso ela foi ganhando confiança.
_ É você meu amigo do além!
_ Sim!
Sorriu. Pela primeira vez aquele coração desabrochou. De olhos fechados parecia me ver, sentir e escutar os meus pensamentos.
A doutrinação do ego é mais difícil, é preciso distinguir a verdade. Mas o tempo foi meu aliado e a missão do espírito missionário desabrochou na missão.
Ao voltar nesta viagem a encontrei andando já fora do casarão. Parecia ter adquirido vida ou renascida das cinzas do calvário. Soprei em sua cabeça e tão logo ela sorriu.
_ É você meu querido amigo!
_ Salve Deus! Sim!
_ Graças ao bom Deus! Quem bom que você está comigo!
Caminhávamos juntos, agora numa felicidade contagiante. Onde ela passava ouviam-se os bom dias. Parecia até mudar a terra sob seus pés. A natureza crescia ao seu redor. Aquela senhora encardida agora era a mais amada.
Adquiriu muitos amigos que lhe foram como marido e filhos. As portas do velho casarão se abriram e todos podiam entrar e sair. A felicidade voltou para aquele coração.
Minha Missão terminou, agora ela já é dona de si mesma. Terá muitos sopros em sua face, terá muita conversa pra contar.
Vejam como a amargura destrói um caminho. Vejam como a felicidade constrói um destino.
Por mais que a vida seja áspera, cobre, um sorriso basta para desencantar uma maldição. A pior maldição é um coração esquecido. Não esqueça de si mesmo, não fuja de sua vida, explore seu eu interior e deixe sua boca falar seus bons pensamentos.
Hoje me vi realizado, missão por missão, demorou quase uma vida, mas vi que todos tem direito a ser feliz.
A cada saída encontramos respostas, a cada reencontro formamos laços de esperança. A cada viagem as verdades se superam. Pelo que eu sei são mais de 6 mil viagens adquirindo a minha consciência astral. Desde aquele dia que ela abriu minha mediunidade dizendo: faça tudo como sempre te ensinei.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An-Selmo Rá
19.04.2019

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