GLAUCO, UM GLADIADOR ROMANO

Um Gladiador… Este fato ocorreu comigo em Curitiba, Paraná. Nesse dia estava me dirigindo ao meu trabalho dentro do ônibus coletivo mais conhecido como vermelhão, pela sua cor. Existe no caminho uma igrejinha da Água Verde, bairro, que até antes deste acontecimento ela sempre ficava fechada e abandonada, mas ninguém sabia o motivo, e mais na frente uma outra construção tipo romana e é desta que vamos relatar. Sempre passava em frente e via um vulto de um homem se escondendo por trás da coluna olhando para mim, isso foi assim por vários dias, eu sempre me questionava, quem era esse homem. Um dia de chuva o coletivo lotado eu estava indo, em pé, de manhã ao meu trabalho quando de repente alguém me deu um forte esbarrão no meu lado direito que me transtornou e virei-me para lhe falar algumas verdades, quando, ao olhar me deparei com um homem estranho vestido como nos tempos de Roma, tinha mais de dois metros de altura, em sua mão esquerda um escudo com desenhos romanos, na outra uma lança, em sua cabeça um elmo tipo capacete, mas de metal parecido com alumínio escurecido pelo tempo. Meu coração gelou, não sabia o que fazer, minha vista não saia dele era como se estivesse hipnotizado, então ele começou a conversar mentalmente, era como se eu estivesse escutando o que ele falava sem abrir a boca. _Meu nome é Glauco. Sou um gladiador do império romano e te via você sempre passar por aqui e ficava admirando seu interesse em saber quem eu era. Só você conseguiu me ver em mais de mil anos. Estava muito só e por não escutarem minha voz de clemência sempre afastava as pessoas deste lugar, desta igrejinha. Eu fui um bravo servidor de César, o Imperador Romano que mais amei e devotei minha vida por ele. Nas arenas eu era imbatível, meus oponentes eram derrotados pela minha força e César adorava em me ver lutar. Quando um dia, das longínquas terras bravias um oponente veio a me enfrentar, ele não era tão forte, mas não sei o que aconteceu comigo, minhas pernas começaram a tremer e minhas ações ficaram lentas, lutei bravamente, mas aquele gladiador tinha algo que eu não sabia o que era, ele parecia dominar minhas forças. Até que em determinado momento com um golpe ele derrubou-me e eu fiquei ali, agonizante, pedindo que meu imperador me salvasse, e então quando vi seu dedo apontar para baixo, isso foi o desfecho final de minha história. Não sei como eu não tinha morrido, estava leve, mas tinha certeza que não estava morto, mas ao olhar para baixo vi meu corpo estirado ao chão e o meu oponente sendo vangloriado como herói. Comecei a gritar, César… César… César, meu imperador, porque não me ajudou… mas ele não ouvia e retirou-se do coliseu. De repente senti meu corpo flutuar, queria me segurar em alguma coisa mas nada que eu tocasse era real, então, fui parar em uma enorme arena, era um lugar cheio de gente sentada em bancos ao alto e eu estava bem no meio em pé, assustado, queria correr, fugir dali, mas minhas pernas não me obedeciam. Uma voz me disse: Glauco, fizeste muito mal, fostes um guerreiro sem amor, mataste teus irmãos, destruíste seus destino na terra, confiaste num Imperador cheio de ódio e maldades que só via o seu prazer na morte e saciava sua sede no sangue derramado nestas areias. Hoje será criado uma sela magnética para você pagar seus compromissos e lá você ficará esquecido por muitos anos até que alguém te liberte de seu destino cármico. E assim vim parar neste lugar, estou aqui padecendo, chorando minhas incompreensões, arrependido, sim estou arrependido de tudo o que fiz de errado… meu Deus, se ele me ouvisse agora… eu suplicaria outra oportunidade de reparar meus erros. Por isso que aqui ninguém fazia nada, eu não deixava, eu amedrontava a todos, fazia com que as pessoas sentissem medo. Aqui, veja, antes de construírem esta pequena capelinha que se tornou o meu túmulo, minha cela, não existia nada, era só mato, eu vi tudo se transformar, vi geração após geração, eu não podia sair alguns metros além do meu local, era uma cerca magnética que eu não conseguia atravessar até que você apareceu, nem sei como estou aqui. Tempos atrás existia aqui uma enorme fazenda, e neste lugar uma enorme árvore onde as pessoas atravessavam pelo carreiro para ir na cidade. Um dia uma mulher vinha carregando uma criança em seu colo, ela estava muito doente e seus olhos estavam cerrados, parecia dormir, mas estava quase morrendo. Fiquei com muita pena e chegando mais perto, essa mãe chorava sem saber o que fazer. Fui ao encontro dela e comecei a pedir a Deus, eu não sabia rezar, nem sabia o que fazer, mas comecei a gritar por Deus e quanto mais eu o chamava mais força fui tendo. Começou a clarear tudo, uma forte luz se fez presente e essa criança começou a chorar, ela voltou a si. Não sei como fiz aquilo mas fiz com amor. A mulher continuou correndo em direção a cidade em busca de atendimento e eu fiquei aqui, ainda com medo de arredar meu pé. Hoje tive coragem e vim falar com você. Me ajude. Eu fiquei estarrecido pela sua história e fiz um convite ao centurião para que viesse comigo e assim eu poderia ajudá-lo em sua evolução dentro de uma doutrina espiritualista do Vale do Amanhecer. Ele aceitou de imediato. Quando de repente o ônibus deu uma freada e eu tirei a sintonia do Glauco, todos dentro do ônibus estavam me olhando, assustados, não sei se eu falei alguma coisa naquele momento, mas fiquei encabulado e três paradas antes do meu ponto eu desci e todos ainda continuaram me olhando pela janela. Continuei meu trajeto a pé e muito emocionado e ao mesmo tempo feliz. Salve Deus. Um dia dentro do Vale me deparei com o centurião já prestando a caridade como um cavaleiro de Oxossi e muito feliz pela sua nova missão, ajudar ao próximo.

Salve Deus!

Adjunto Apurê

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