UM ESPÍRITO…


Salve Deus!

A mesa está posta.

Ontem, por volta das 23 horas, sexta-feira, um espírito chegou de longe, muito longe, cansado de tanto andar. Com seu mundo virado de cabeças para baixo, ele foi trazido pelos ciganos, Mãe Calaça, que vendo seu sofrimento em Andaluzia formou um túnel do tempo. Milênios se passaram para ele poder chegar aqui, mas tudo foi orquestrado pelos mentores que formaram o reencontro.

Velhos amigos, velhos companheiros, velhas estradas. Um estava lá preso na sua dimensão e o outro aqui reencarnado na nova estrada. Eu não fiquei sabendo seu nome, e somente hoje no templo ele passou nos trabalhos junto a Pai Joaquim de Aruanda.

Ao passar no templo houve então o tão esperado reencontro, Katshimoshy, a dívida ainda paira na aura deste povo. Muitas dívidas assumidas, herança transcendental perdida. Ao chegar aqui de noite ele veio falando sua linguagem nativa, não dava para entender muita coisa, deu para compreender pouca coisa:
_ Caminhei e caminhei, cheguei, eis-me aqui de novo!

As estrelas sempre brilhavam nos encantos deste povo mágico, festas e danças, indisciplina e muita liberdade. A tal dita liberdade sem fronteiras foi o que escravizou este povo em suas viagens. Quando chegaram em Andaluzia, os poucos sobreviventes, pois muitos foram devorados pelas feras, lobos, montaram seu acampamento, mais mais uma vez não prestaram atenção nas cobranças.

Este cigano ainda estava lá preso em sua faixa cármica pagando centil por centil a sua liberdade. Aqui no amanhecer nós temos a nossa liberdade vigiada, consciência, nós temos tudo que queremos, mas sempre prestando atenção nas nossas atitudes.

Pai Seta Branca com muito carinho abriu esta porta espiritual para reunir os velhos amigos de outrora. Vejam como é bonito quando um espírito chega no templo com outro pensamento, o pensamento da gratidão. Gratidão por ter recebido esta oportunidade de ser feliz, sim, pois todo povo cigano que hoje já tem esclarecimento buscam os que ainda estão perdidos.

Quanto pesa uma avaliação espiritual para chegarmos ao outro lado da vida e resgatar alguém que ainda está esquecido. Os bônus espirituais são insuficientes para pagar esta dívida, então é preciso lançar mãos das tradições milenares para formar o canto que sustentará o comando.

Ao chegar no templo onde todos o aguardavam ele viu resplandecer a luz em seus olhos e não pensando duas vezes aceitou de imediato seguir com Mãe Calaça. Todo povo se reuniu em torno dele, pareciam crianças se reencontrando nesta vida. Ele jamais imaginou que teria esta recepção aqui na casa de Seta Branca.

Eu fiquei feliz com esta missão do dia e assim todos os pacientes foram atendidos dando a cada um o seu destino. Vindo hoje na BR ele pronunciou seu nome, Vladimir. Siga com Deus meu irmão e saiba que não estamos sozinhos.

Salve Deus!
Adjunto Apurê
An-Selmo Rá
22.07.2018

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