SEU TRANCA RUA – Parte 90

 

Salve Deus!

 

Eu não durmo de toca.

 

Os espíritos sagazes de vingança perdem sua maior riqueza que é o conhecimento da verdade. A verdade vos libertará, mas quando seus inimigos estiverem aos seus pés. Quando se fala mil cairão a sua direita e mil a sua esquerda, não quer dizer que estarão vingados, mas é uma parábola, pode ser interpretada de formas diferentes, conforme cada cabeça. Mesmo aqui no amanhecer pode ter outra conotação, cairão pelo perdão, pelo amor e pela compreensão.

 

Esta noite chegou aqui dois espíritos que traiçoeiramente queria me pegar desprevenido. Um eu conheço muito bem, o outro não, porque ele já está desencarnado. O desencarnado tinha na terra muitas mortes, era como se diz, um matador mal amado. O outro é o que quer tomar tudo de Seta Branca, um espirito alucinado que vendeu sua alma para os mundos negros a fim de nos destruir.

 

Quando ele veio falar comigo, ele estava sozinho. O outro havia se escondido para me atocaiar. Veio falar coisas que estava engasgado em sua garganta. Vomitou aquela porcaria toda e se fazendo de melhor dizendo que um exu caboclo, de um terreiro, havia dito que nós que estávamos fazendo mal a ele. Vejam como foi à conversa, baixo nível, pois em todos os templos do amanhecer se prega o amor incondicional. Os espíritos que são da linha negra não gostam de nós da linha branca, por isso eles quando tem a oportunidade de pegar um homem que está se debatendo pela incompreensão é um prato cheio.

 

Exu caboclo, eu vi pela primeira vez este quadro assustador. A interpretação se torna diferente na comprovação dos fatos. O espirito era caboclo na sua origem e quando desencarnou sem a luz cristica, foi recambiado aos vales negros da incompreensão.

_ O caboclo falou que vocês aqui estão fazendo muito mal para mim!

_ Salve Deus!

_ Então eu vim tomar satisfação! Eu quero que vocês sumam, vão embora da minha cidade! Aqui não tem lugar para vocês!

_ Fale isso para Seta Branca e não para mim! Se ele autorizou a ficar ninguém vai contra suas palavras! Ele é o Grande Orixá responsável pela nossa missão!

_ Vão embora! Eu mando aqui nesta região, eu sou dono de tudo e vocês estão me atrapalhando e destruindo meus planos!

_ Planos! Que planos! Enganar seu próximo, tirar o pão da mesa dos outros, se aproveitar da bondade de todos! Se apoderar de terras que não são suas, como desta que aqui estamos! Aqui existe uma coisa que você desconhece, a luz de Jesus, o mesmo que lá atrás você lavou suas mãos!

_ Eu não lavei nada!

_ Sim, meu irmão! Você sempre foi um homem desprovido da bondade, sempre pensou em si mesmo, nunca deu uma gota de orvalho aos seus amigos e principalmente aos seus inimigos!

 

Nisso ele se calou e logo foi dando desculpas. Quando ele ia saindo o outro que estava escondido, em tocaia, se juntou a ele e foram dando gargalhadas. Eu fui atrás para ver o destino. Tão logo pegaram a rua de cima do vale e sumiram. Naquele momento eu vi que eles estão aprontando uma armadilha, estão desconectados da luz divina e presos ao cinturão covarde da baixa dimensão.

 

A minha luta em prol da verdade é uma batalha sem fim. Estou lutando em dois francos, aqui e lá, sim, porque mesmo na missão a verdade dói, e ninguém quer saber dela. Eu mesmo me perdi em outras vidas pela falta da verdade, senti o punhal em minhas mãos, segurei firme e hoje estou acompanhando o rito da esperança de uma nova era.

 

Qual verdade nós estamos lutando. Qual caminho nós estamos plantando as sementes do amor, sim, porque é a menor semente que quando cresce se torna uma imensidão diante dos olhos. Mesmo esta semente, do amor, sendo a menor de todas, ela um dia crescerá dentro e nos tornaremos a verdade plena.

 

Os espíritos não esperavam que eu estivesse em vigília, pensavam em me pegar dormindo, longe do físico, assim poderiam me atocaiar no meu leito de adormecer. Aqui não existe nada que nos deixe desligado da nossa faixa evolutiva.

 

Quando nos tornamos missionários não é para ficar palitando os dentes, como disse Jesus: “orai e vigiai”. Nesta condição nunca seremos pegos desprevenidos, sempre teremos a nossa espada empunhada em prol da segurança do nosso caminho, da nossa família. A justiça se faz pela compreensão e não pela morte.

 

Muito difícil quando nos tornamos espelhos. Muitos reflexos surgem querendo quebrar ou tapar suas imagens. Tudo para esconder seus planos, suas inverdades e suas imoralidades. Mas ninguém fica no anonimato por muito tempo, ninguém, pois quando se assume um compromisso estamos sendo monitorados.

 

Os inimigos de plantão. Como me disse um dia um irmão de doutrina: Faça tudo direito e não se desvie de sua conduta, porque eu lhe tomo o templo. Eu fiquei olhando para seus olhos e pensei: deixe o tempo decidir quem vai perder o templo. Tão logo as noticias explodiram em todos os cantos, ele quem detonou a missão do amanhecer com a falta de honestidade. Fui conversar com ele olhando em seus olhos, mas não quis e como ditador logo preferiu se esconder. As pessoas gostam de fofocar da vida dos outros e esquecem que as suas estão em perigo.

 

A desmoralização incondicional. Eu não me escondi, não falei de sua vida pregressa, mas fui diante de sua encarnação e quis lhe trazer a paz. Como irmão e não como inimigo, mas aqui mesmo vemos a falta de evolução. Todos estão acostumados ao chicote e não querem a liberdade tão almejada pelos espíritos. Liberdade com responsabilidade.

 

Foi então que nós juramos esta espada apontada ao peito. Juramos para que tivéssemos firmes na hora de decidir entre o bem e o mal. O homem que tem algum tipo de poder material pode dominar outras mentes se tornando um coronel. A abolição dos espíritos presos a esta dimensão foi algo diferente. A rainha dos escravos aboliu na terra, mas a maior libertação se deu nos planos espirituais.

 

Estou de honra e guarda. Estou aqui esperando que eles venham fisicamente querendo atrapalhar nosso sacerdócio. Aqui existe algo muito maior que nem eu posso dizer. Algo muito sublime, uma paz interior que toma forma de amor, perdão, compreensão.

 

Quando Jesus veio para esta terra ele falou a verdade, mas todos se voltaram contra ele para apagar a sua chama. Ninguém quis saber dela, da verdade, e assim tão logo conseguiram mata-la. Hipócritas filhos das trevas que lutam contra a luz, não se acovardem e saiam deste caminho escuro antes que seja tarde demais. A sabedoria do homem não está neste plano terrestre, mas em sua alma que vagueia sem destino.

 

Pai Joaquim das Almas pediu com muita humildade o retorno de suas almas para a luz, então porque não seguem as suas palavras.

 

Eu sou irmão e não inimigo.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

09.05.2018

 

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