VIDA ETERNA…

Salve Deus!

 

Somos eternos, somos parte de um sistema que nos permite conhecer o universo.

 

Viajando de um mundo a outro sem medo de perder a sua identidade, sem medo de sofrer os embates da transposição, sem perder a sua consciência. Este é o lema dos viajantes do espaço que se deslocam pela onda vibracional.

 

Vamos descobrindo cada vez mais, cada pernoitada do físico que não prende o espirito e vai deslocando, assimilando seu mundo astral. O viajar sem fronteiras, mas tendo segurança nestas condições da mente que fixa os conteúdos.

 

Chegamos a dois destinos, mas vamos ao principal, porque nele estava uma grande feira, onde espíritos organizados vendiam o pão da vida eterna. Muitos espíritos transitando, mas até então ainda era novidade, porque no primeiro encontro tudo ainda fica no abstrato. Andei vendo todas as tendas armadas pelos pequenos corredores até que cheguei a uma que tinha um homem e uma mulher idosos vendendo pão. Eles eram antigos, espíritos que tradicionalmente chamamos de milenares. Milenares, não como estamos acostumados a trabalhar no templo, mas pela sua antiguidade.

 

De frente para a tenda peguei um saco com pão, mas não era aquele que eu queria. Foi então que deixei de lado e tão logo o homem veio me cumprimentar. Eu era novo por ali e despertava curiosidade por onde passava. Ao deixar aquele pão, uma mulher veio e pegou aquele saco e foi embora. Tão logo o homem me ofereceu um pão, tipo caseiro, que ainda estava quentinho, mas não tirava seus olhos de mim. Peguei e fui saindo, mas ele veio atrás.

_ Você não é daqui!

_ Não! Sou da terra!

_ Da terra! Nossa! Você está muito longe! O que o trouxe aqui!

_ Vim conhecer! Sou viajante!

_ Ficamos felizes que veio até nossa tenda!

 

Ele virou-se para trás e chamou sua mulher. Ela veio rapidamente para saber e ele já foi lhe explicando.

_ Este moço é da terra!

_ Da terra, como você veio parar aqui!

 

Fiquei meio sem jeito, pois parecia que tinham interesse na terra. No pequeno corredor entre aquela multidão que passava de um lado para outro ele perguntava o que queria saber, ou tinha saudade de alguma coisa. Ele era um senhor gordo, cabelos curtos, tipo quase raspado, vestido com um jaleco branco encardido, para mim era português. Português que falo é sua ultima encarnação, pois havia sotaque.

 

Ele ficou falando e falando, nossa, tinha que ouvir os dois perguntando. Não dava tempo de responder, tanto era o entusiasmo. Então eu fiquei somente ouvindo, tentando compreender aquela euforia.

_ Nós fomos da terra também! Tivemos uma vida muito louca! Vivemos uma grande paixão, tivemos filhos e eles ainda devem estar por lá! Vivíamos para nosso comércio, produzindo pão, o Pão da vida eterna! Como vê, aqui também, temos o mesmo pão! Não temos mais contato com a terra, perdemos a noção do tempo, mas ainda mantemos a saudade! Não sabemos quantos anos temos, nem quanto tempo nós saímos de lá, nem sabemos datas! Que data é na terra!

_ 2018 anos após Cristo Nosso Senhor!

_ Tudo isso! Vivíamos em um vilarejo pequeno há muito anos passados! A nossa vida foi sempre assim! Agora conseguimos manter a nossa vida aqui neste mundo!

 

Eu tentava concatenar todas as informações, pois não tinha muito tempo, tinha que ser rápido para não perder o caminho de volta. Neste caminho havia deixado minha ninfa e minha filha em segurança, em outro plano, porque a gente não sabe exatamente o que nos aguarda. Foi que voltando para junto delas lhes dei um pedaço de pão. Tudo é cortado sem uso de objetos da terra, somente com as mãos. Pegaram e saborearam a vida. Estou ensinando os primeiros passos da vida fora da matéria.

 

O andar da nossa projeção astral. Nestes enredos temos que ter certeza de saber decidir entre o certo e o errado, não ficar presos a um destino somente porque nos sentimos realizados. Nem sempre o conforto lhe induz a direção evoluindo seu coração. A eterna busca pelo nosso caminho de volta as nossas origens, desfazendo aquela pesada mala que prende nossos pés, sentimos que somos parte de um sistema que se altera conforme nosso pensamento.

 

Ao voltar ainda olhei para trás e aquele casal ainda sintonizava querendo conversar mais. O tempo é muito escasso e rápido, porque na eternidade não tem relógio, não é o mesmo tempo nosso. Pensando assim, um minuto lá pode ser uma vida aqui neste mundo físico. Por isso que os pensamentos são rápidos aqui na terra, vivemos a noite e o dia, vivemos as nossas paixões. Muitos ao voltar para seu mundo terrestre após uma viagem dizem terem vivido fora do corpo por muito tempo e ao acordarem passou somente alguns minutos. Tudo é diferente, tudo é o resultado da compreensão.

 

Nosso relógio biológico mantem as funções necessárias para não perder a ligação. Isso que nos mantém ligados a nós mesmos, porque senão teríamos um grande problema de não encontrar a porta para voltar. Assim quando desencarna perde-se a ligação do físico. O primeiro choque é perder sua personalidade, perder tudo que conquistou e perder sua função humana.

 

Todos esquecem que são parte de Deus e lá sem consciência não se prendem e se tornam vitimas de um mundo dimensionado pela necessidade. Caso não tenha seu tutor a lhe amparar, vai sofrer muito. Pode ser cassado por outros espíritos como pode ter um destino em alguma missão especifica. Tudo vai gerir conforme sua cultura.

 

Ainda guardo esta imagem em minha memoria astral. Vendo os dois vibrando pelo feliz encontro. Noticias da terra, energia ectoplasmática se decompondo neste contato. Saudade, emoção, esperança.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

06.05.2018

 

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