A MALDIÇÃO DO OURO…

Salve Deus!

Como era muito cedo e a volta nos custa algum dinheiro espiritual para que seja compensada a nossa balança e equilibrar nosso sol interior, eu retornei novamente a um passado muito distante.

Piratas. Sim, meus irmãos, um povo bárbaro que muito se endividaram pelo ouro e pela prata, além, dos diamantes e pedras preciosas. Só que nesta luta estavam alguns jaguares desta missão. Estavam lá hoje estão aqui no mesmo proposito, o poder, a riqueza, o ouro reluzente. Houve então um retorno a uma ilha que guardava os segredos do pirata mor. Este pirata negro, dominador dos setes mares, pilhou muitos reinados e guardou nesta ilha tudo que havia roubado.

Ao chegarmos, uma equipe de missionários travestidos de piratas, foi deslocada a esta ilha. Havia muito mato, desolação, vida alguma, mas ninguém achava nada que fosse interessante. Havia muitas bolas de canhão, naquele tempo eram feitas pelo derretimento e abastecia os canhões da embarcação. Ao atravessarmos uma ponte de madeira já consumida pelo tempo eu cai e os outros não me deram a mão. Fiquei embaixo junto com umas bolas que ali estavam jogadas.

Pensei, eles não vão me ajudar e peguei uma barra de ferro, tipo alavanca, para bater neles. Ao sem querer raspar uma destas bolas, um dos piratas que estavam em cima da ponte viu, colocou seu dedo na boca em sinal de silencio e mostrou. Eu percebi seu sinal e olhei para a bola de canhão, onde havia sido raspada estava amarelada. Ouro, era feita de ouro. O pirata seguiu despistando todos, pois ele também notara.

Eu fiquei ali abraçado e todos se foram. Eu não sai dali, aquela maldição prendeu meu coração. Tudo aquilo seria meu, pensava, deixei que eles se fossem, porque não me ajudaram na hora que precisei. Até aquele que me mostrou se foi, enfim, eu estava sozinho e sem como retornar.

O capitão deste navio dos sete mares, era um tirano e aqui nesta roupagem também se tornou tirano, trocando o ouro pela conquista do poder. Tudo que ele vê enxerga o amarelo ouro, e como esta doutrina o sol simétrico brilha amarelo, ele se encantou pela cor. Não se tem missão, tem uma conquista, o pirata mor dos sete mares agora está em terra e não mais no mar.

Morri ali segurando aquela bola de ouro negro. Hoje eu vejo assim, Jeová branco e Jeová negro, ouro branco e ouro negro. Uma luta nos tombadilhos dos navios com suas bandeiras penduradas no convés. A caveira cruzada pelas espadas.

Eu vi que o meu irmão de hoje era ontem o mesmo que eu, um conquistador, um homem sombrio e sem medo, tinha em seus olhos a centelha da morte. Batia com o solado de sua bota no convés e nas tabernas que costumava frequentar. Muitas mulheres, muitas donzelas sequestradas, muita cumplicidade pela força jogadas no calabouço.

Muitos impérios foram saqueados, muita riqueza depositada nos buracos dos enredos da vida, muitos navios afundados, tudo era diversão, era o poder de ninguém os caçar. Quando a marinha inglesa ajustou seus canhões e a batalha final foi travada, aquele tombadilho foi perfurado e todos vieram a morrer. O ouro ficou lá na ilha sem o dono poder usufruir dele. Mas foi escondido, foi transformado em bolas de canhão. Os diamantes e pedras preciosas foram soterradas camuflados para que ninguém chegasse perto.

Um mapa, eu diria ser como um matupi, marcou um X na entrada da caverna que o mar escondia. Não havia por terra como penetrar pelas rocha do solo, mas mergulhando no mar de ondas fortes, a entrada estava lá. Muita riqueza, muitos dotes, muita coisa foi depositada ali. Como todos morreram tudo aquilo se perdeu pelo tempo. Se eu tivesse sido resgatado lá atrás, quando cai da ponte, tudo poderia ter sido diferente. Mas não, eles não tinham clemencia, eram desprovidos do sentimento humanitário.

Eu descobri o ouro e aquele meu companheiro seguiu com os demais. Acho que ele teve a ideia de despista-los para depois voltar. Mas nunca voltou, nunca consegui saber o que aconteceu. Com uma perna quebrada, fiquei morrendo aos poucos, segurando o ouro. A maldição do ouro. A morte pela dor.

Hoje eu vejo aqui neste amanhecer as histórias das vidas sendo consumidas pelo ouro e pela prata. Todos estão atrás deste poder, mas nem todos foram piratas, muitos foram os que foram saqueados e estão aqui tentando reaver seus pertences. Vejam como é, como o espirito ainda vive a sua aflição. Veem buscar os seus dotes tomados pela força. Quantos eu vejo sentarem ali nos tronos pedindo riqueza, pedindo ouro e a prata. Quantos mais vem pedindo desejos pelas donzelas, as mulheres escravizadas pela força bruta. O navio viaja pela eternidade e quando a lua está no alto mastro os piratas regozijam suas juras transcendentais.

Piratas da dor e da morte. Todos estão aqui resgatando tudo que deixaram para trás. Mas muitos outros ainda vão chegar, tomem cuidado para não perderem seus pertences, seus ouros e suas pratas.

Salve Deus!

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

03.05.2018

, , , ,

Deixe uma resposta