UM MOMENTO ESPECIAL…

Salve Deus!

 

Do sagrado ao profano.

 

Vivemos um dia em silencio perante a eterna busca de um ser especial. Na terra os pedidos de salvação e no etérico os remorsos das caveiras saltitantes. Foi um dia marcado pela irá de um povo pagão revoltado contra os princípios cristãos e que hoje são crentes, mas foram os ressuscitados de outrora.

 

O silencio da madrugada é tão frio como a lamina de uma espada. O vento corta e dilacera as almas como se fossem fumaças. Eu me senti diferente, todos estavam diferentes, estavam com suas mentes apagadas para não se descobrirem em si mesmos as suas indiferenças sociais.

 

Como é triste para as pessoas desta terra sofrerem as suas transcendências sem conhecer as suas origens. O mais complicado deste momento é a transição dos mundos que se ligam pelo espaço vazio. Entre a terra e o céu espiritual existe um mundo neutro, diria ser como um buraco do esquecimento, porque nada se forma, tudo se dilui, não tem força magnética, nada existe.

 

Eu estava aqui no meu silencio quando uma mulher viva veio me procurar. Ela estava em transito pela sua casa astral e é assim que muitos chegam aqui para me falar. Eu a conheço aqui na terra, minha irmã. Com sua cabeça pendendo para a descrença espiritual chegou com uma cobrança etérica. Ela veio me cobrar os motivos que me levaram a não comparecer em sua casa. Foram horas de palavras sem conexão, sim, pois na terra todos tem um pensamento, mas no céu tudo muda no seu ponto de vista.

 

Eu tentei lhe explicar, mas é como uma pessoa alcoólatra que se entrega ao vicio pelo prazer e depois doente perde a noção dos valores do físico e do espirito. Eles não ouvem a voz da razão e batendo nas mesmas teclas ficam idolatrando a sua verdade sem ouvir o outro lado. Bom seria se todos fossem julgados somente por um lado, sem ouvir as partes, pois a eterna vitima dos seus próprios erros formam seus tribunais invadindo os corações e pregando a velha estrada.

 

Tentar explicar o que ouve seria o mesmo que apagar fogo com gasolina. Vi que ela estava encharcada pela descrença e contaminada pelas palavras. Neste momento um nego velho veio me ajudar. Vovô Benedito de Aruanda. Um arcadinho espirito de luz que se fez sombra para não ser notado. Ele parou ali e ficou escutando as narrativas das afirmações. Eu não falei um ai para me defender, porque eu nunca ofendi, nunca prejudiquei e nunca destruí a vida que Deus me entregou nesta encarnação. Posso sim, em outras, ter sido diferente, mas agora com este conhecimento fica difícil mudar meu pensamento.

 

O que eu fiz foi por amor, sempre ajudando espiritualmente e materialmente aqueles que me pediam ajuda. Mas na hora do confronto as pessoas esquecem quem eles são e partem como animais ferozes devorando o que encontram pela frente. Desrespeitaram a minha casa, a casa do meu Pai, a minha missão, e os meus amores. Eu nunca ofendi ninguém, sempre vivi em silencio, porque as palavras tem o peso da eternidade e são registradas pelo vazio do espaço.

 

A cegueira karmica de uma cobrança milenar. O Oraculo é sagrado pela minha visão espiritual. Ninguém pode simplesmente desonrar o solo sagrado e a missão. Agora ser cobrado por mais isso, não, chega, as mentes doentias nos arrastam pela profundeza infernal de suas loucuras e sem ver a luz no final do poço se jogam acreditando que serão os únicos salvos.

 

Desculpem-me pela minha parca visão, mas conto isso para todos saberem os passos dos espíritos acrisolados em suas angustias. Os caminhos do jaguar são os mesmos do Mestre Jesus, difícil, mas cheio de glórias e conquistas. Somos cobrados eternamente pelas nossas vidas. Só que não podemos nos tornar vitimas de nós mesmos, das nossas armadilhas.

 

Os mortos vivos estavam andando pelas ruas das cidades. Todos em arrependimento clamando nem sei o que. Não se sabe o que passa dentro de cada coração. São arrastados pelos caminhos sem direção, mas sempre voltam para o mesmo destino.

 

A eterna balança invisível está colocada no mais alto altar de sua compreensão. Busque-a.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

31.03.2018

 

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