COMO REZA A LENDA…

Salve Deus!

 

O velho Chico em sua força e esplendor.

 

Nesta grande viagem cheguei às margens do Rio São Francisco e lá muitos enigmas foram sendo contados pelos velhos pescadores, pelo povo que plantou as sementes da vida. Um povo simples, mas um povo feliz.

 

Ao sentar-me a espera do que eu iria descobrir fiquei olhando para o rio que corria pelas margens fazendo um esforço danado para não sair de sua caixa. Tão belo e formoso sentia o reflexo desta cosa bacana, uma energia, um convite a fazer parte desta história. Não. Eu estava ali por uma descoberta e não para entrar neste rio.

 

Um tempinho calado refletindo a minha missão. De repente as aguas borbulharam, olhei com mais convicção e um grande barco navegava por baixo das águas. Eu via a sua silhueta indo contra a correnteza, ele estava indo para buscar mais outros que se juntariam nesta viagem. De repente ele sobe e vai cortando as águas como uma veloz embarcação tocando seu sino despertando os mortinhos em suas esperas.

 

Eu me levantei das margens e de pé fiquei olhando para esta imagem. No primeiro momento me deu medo, a energia era triste, era da despedida. O barco foi acalmando sua força e navegando silenciosamente pelas mentes dos adormecidos ia catalogando os registros entregues pelas famílias. A missão desta minha viagem seria resgatar os mortinhos presos nesta embarcação.

 

Cheguei ao comando deste comando e sem ninguém ele parecia ter vida própria. Era um presidio feito pelas testemunhas que se prendem pela morte. Fui então aos poucos navegando sem rumo e sem direção, porque a história conta esta passagem como sendo o barco da ressurreição.

 

No primeiro momento eu não via ninguém, porque as almas estavam em outro plano abaixo de minha chegada. Foi preciso descer mais para chegar onde eles estavam. Sim, ei-los, eles estavam presos sem vida e sem luz. Era preciso abrir estas portas para eles serem resgatados. Fui a um templo da região, tudo fechado, bati na porta e os centuriões não me deixaram entrar. Cheguei à frente e fiz minha emissão. As portas se abriram e todos aqueles espíritos invadiram a casa de Seta Branca. Eram muitos, eles foram entrando e tomando espaço. Os centuriões de plantão não deram conta de recomendar e aí começou a criar um estágio confuso. Aos poucos fui pregando a verdade que eles deveriam esperar para serem atendidos.

 

Com muita conversa uns saiam e outros ficavam escondidos embaixo dos tronos, da mesa, onde houvesse atendimento. A única forma de tirar todos de vez foi implantar o medo neles.
_ Se vocês não saírem agora poderão ficar mais doentes ainda! Vão sofrer mais do que já estão! A corrente magnética será destruidora!

Assim eles iam saindo de dentro e esperando na via sagrada.

 

De repente o sino tocou de novo e eles desesperados para não perder o caminho foram saindo e sumindo em direção ao rio. Após esta partida veio duas mulheres que decidiram não mais seguir aquela embarcação, mas me deram um trabalho danado para colocar ordem em suas cabeças. Elas não tinham consciência mais, estavam entorpecidas pela falta de princípios.

 

Mais uma vez na abertura do cruzamento de forças elas queriam entrar. Foi preciso traduzir a missão para elegantemente conduzi-las ao seu verdadeiro mundo, as casas transitórias. Eu nunca tinha visto uma aglomeração de espíritos mortos tão grande vivendo em um transe espiritual. O sentido a figuração do barco, dos sonhos da morte, da vida entregue ao destino, tudo isso impregnado em seus corações.

 

Eu conheci a profundeza deste rio em suas entranhas mais diversas. Conheci os espíritos que vivem nele e com ele navegam ainda de um lado para outro em busca de outros jurados e conjurados. A pequena embarcação vista pela terra é um enorme objeto desintegrado de sua dimensão, por onde acumula os restos de uma dinastia, de uma vida, de uma geração.

 

Eternos prisioneiros da morte contada pelos antigos moradores. São ritos fixados na mente e no coração dos jovens que mais tarde se prendem pela história.

 

Cada um daqueles espíritos, daquelas almas, tinha um sonho de quando partir seria parte deste barco. Quem marca sua sentença com seu juramento ficam presos em suas memórias os acontecimentos. Vamos então conhecer o principio da criação de cada povo. Cada povo cria a sua vida dentro do que conhece pela marca do destino.

 

O templo abriu suas portas espirituais para receber este povo. Mas tão logo saíram quando ouviram o chamado. Eu entreguei a responsabilidade ao comando desta casa e voltei para o sul, para minha base secreta. Nem todos conhecem o destino de um viajante do espaço e nem todos são chamados a presenciar os fenômenos da dimensão. Seria o mesmo que entregar todo o conhecimento cientifico espiritual para pessoas leigas que não dariam valor. Eu tenho um trabalho danado para mostrar um caminho do final ao recomeço. As viseiras tapam os olhos e eles se entregam ao resumo da carne que tão logo encerra seu tumulo.

 

Evolução espiritual não quer dizer material. Vejam as suas histórias, tiveram toda riqueza e não souberam administrar. Deus deu e Deus tirou. Hoje vivem reclamando o que perderam e não tem esclarecimento da verdade. São eternos sofredores encarnados e desencarnados em busca de seus princípios, do eldorado.

 

Julgam tudo que é estranho como se não fizesse parte desta congregação. Tudo que não foi possível tocar com as mãos ou ver se torna uma batalha de desunião. Querem matar quem trouxe uma luz porque ela incomoda a escuridão. Assim foi com Jesus, foi entregue aos carrascos por sua luz refletir nos corações. Ninguém quer ver a luz, ninguém, porque quando ela chega trazendo noticias logo se desencadeia uma perseguição contra. Com isso toda luz do universo se esconde da terra, da mente humana, eles tem medo da reação deste povo ainda martirizado pelas guerras, e materializados nesta dimensão. Vai ser preciso mais mil anos para aceitar Jesus de novo.

 

Assim, chegando a minha base física eu fiquei relembrando passo a passo o caminho que fiz. Tudo que vi e tudo que passei.

 

ALMA LIVRE EVOLUÍDA!

É o MESTRE APARÁ, que rompe o véu da Ciência, dos preconceitos, que transporta o transcendente, perscruta a alma, descreve com clareza e precisão. Quando mais simples, mais perfeito exemplo de amor do extrassensorial; cientista, se expande com fenômenos inexplicáveis dos surdos e mudos. É também a dor para os que desejam prova. É mais verdadeiro do que pensamos, pois o mundo é o seu cenário, onde desenrola os dramas da vida e da morte. Quando desejo explicar na minha clarividência, surge um foco diferente: é fenômeno especial.

Cada APARÁ é um ator diferente que exige seu cenário de acordo com o seu padrão. Com o auxílio de minha clarividência, vai além do impossível, o que não pode ser descoberto. Sua maravilha e distinção é que o APARÁ não dispõe de sua inteligência, vê-se tudo por natureza. Além, está impossível, muito menos descobrir, nem sequer pode ser pressentido pela inteligência, mesmo sendo a mais perspicaz servida por microscópio. Perfeito, constituído como é o APARÁ até agora.

SALVE DEUS MEU FILHO APARÁ.

Fui até onde me era possível, até onde me era possível, onde minha pobre analogia pode chegar, prevendo outras buscas de Evolução. Alma humana que provém de seitas ou de escolas, somente Castro Alves nos recorda com a figura do majestoso “NAVIO NEGREIRO”, que entre mil versos diz:

 

_ Auriverde pendão da minha terra,

Que a brisa do Brasil beija e balança,

Estandarte que a luz do sol encerra,

E as promessas divinas de esperança.

 

Era um sonho dantesco… O tombadilho,

Que das luzernas avermelha o brilho,

Em sangue a se banhar.

Tinir de ferros… Estalar de açoite…

Legiões de homens negros como a noite,

Horrendos a dançar…

 

Um de raiva delira, outro enlouquece…

Outro, que de martírios embrutece,

Cantando, geme e ri!

 

Foi então que neste quadro dantesco de dor, apareceu a figura de Nossa Senhora Da Conceição “APARÁ”; compadecia, chegava sutil e falava naquela era sofrida aqueles que por Deus ali estavam, sem carinho, sem esperança e sem amor. APARÁ, APARÁ; era como a chamavam. Ela manifestava entre eles dando força, soprando suas feridas. APARÁ! Hoje és na tradição deste exemplo, deste amor.

APARÁ, MEU FILHO APARÁ! Não esqueças, que outrora, na dor, Nossa Senhora Apará dos poderes infinitos, nunca ensinou a ira; muito menos a vingança ou riqueza, e sim humildade, a tolerância e o amor.

É tudo, filho querido do meu coração, que na tua graça singular é a história que ficou. Os teus poderes são todos os que disse, este pouco que pude dizer.

 

Assim o mundo vai descortinando a verdadeira sabedoria dada a poucos que reconhecem a transformação como sendo o único remédio amargo para se chegar a sua obra.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

26.03.2018

 

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