…OS LOBOS… OS LOBOS…

Salve Deus!

 

Um espirito perdido no seu purgatório.

 

Como eu posso descrever esta passagem, porque em uma linha não se pode narrar um destino. Mas vamos por partes para poder mostrar ao mundo que meia palavra não basta para criar um novo horizonte.

 

Voltando a um passado de remorsos onde a pior decisão foi à morte. Era uma noite dantesca de uma família e eles foram mortos pelo pai que teve medo de enfrentar as feras, como dizemos, os expulsando para fora. Naquele mundo de frio intenso, toda uma família largada pela tirania de um ser que se achava cheio da verdade, sim, porque sendo dono de sua força masculina relegou sua esposa e filhos a morrerem pelas feras. Ao chegar neste moinho redondo, com escadaria circular que ligava ao alto, às feras estavam atacando de todos os lados e o espirito preso ali dentro pedia ajuda. Os gritos de medo se misturavam os uivos que batiam nas paredes, nas janelas e na porta querendo entrar.

 

Entramos, sim, eu e minha ninfa, pois o homem esquecido em suas lamentações estava desnorteado pela desfiguração do seu eu interior. Foi muito triste, a penumbra que envolvia este irmão não o deixava ver a luz. Naquele momento não o vi clamar nenhuma vez por Pai Seta Branca. Ele estava com tanto medo que se encolheu num canto deste moinho e chorava muito.

 

Os uivos, os uivos, meu Deus, o que este homem fez para merecer este fim. Teve uma rica e feliz oportunidade de conhecer a si mesmo, mas a cultura dos olhos fechados não o deixou ver a sua missão. A sua jura transcendental foi a sua morte na evolução necessária dos males decorridos de sua cegueira karmica.

 

Saindo desta velha estrada chegamos ao Brasil colonial. Aqui, do mesmo jeito, um inquisidor, um homem imperialista, um matador da esperança que pela tortura tirava água de pedra. Neste período também matou e matou sem olhar para Deus, pois era o próprio juiz que decidia quem vivia e quem morria.

 

A morte sempre foi seu lema e nesta vida trouxe os resultados a serem leiloados nesta final de existência. Fomentando sempre a sua liberdade e não respeitando a sua própria família. Os resultados da escuridão da memória que se prende pela necessidade de mudar, de evoluir e expandir seus merecimentos não foram a contento para comprar seu passe. Muitos enredos se unificaram a esta passagem, muitos interferiram nesta desunificação e aí o resultado aparece sem delongas.

 

O espirito está preso na sua obscuridade de sua alma que não tem paz, porque tarde demais para pagar seus atos corrompidos pelos feitos e desfeitos. Mandatário das mortes das tragédias anunciadas. Eu quase morri pela cobrança que desafiava meu coração de pai, sim, quando se tem uma orientação espiritual nos tornamos pai de muitos que buscam a sua linha mística. A força decrescente de uma contagem, porque sendo um adjunto de povo, as forças decrescem até chegar ao ultimo bocejo.

 

Noite horripilante e obscura das almas perdidas. Uivos que dilaceravam pelo medo da morte. A morte aqui tinha voz, estavam famintas e vorazes, e ao vermos de perto esta triste passagem de um homem que teve tudo para ser feliz, mas seguiu o seu roteiro, o que ele conquistou.

 

_ Ela vai me pagar muito caro!

 

O grito que se perdeu como eco em sua memória. Mesmo ele sendo acuado pelas feras ainda pretendia se vingar dos que lhe tiraram a sua liberdade. Vingança, dor, desafeto. Ainda não foi desta vez que o perdão lhe fora concedido, porque mesmo diante desta grande dilaceração ainda jura se vingar.

 

Quando eu passei nos trabalhos tentando me libertar desta dor, deste cobrador milenar, Pai João de Enoque me amparava discretamente fazendo a minha recuperação. Meu físico, meu espirito, a minha alma chorava piedosamente pela libertação. A dor de uma prisão sem libertação. Não joguem a culpa pelos erros do passado sobre as suas vitimas de hoje, porque Jesus ensinou no evangelho a verdade soberana dos nossos caminhos. Erramos muitas vezes, mas agora errar de novo é assinar sua sentença de morte.

 

O espirito veio me procurar, está aqui, está acuado no seu mundo. Do que adianta agora querer luz se sempre buscou a escuridão das fantasias, mesmo ainda não o vejo pronuncia Jesus em sua mente e em seu coração. Está desnorteado, está sacrificado, foi leiloado.

 

A morte é somente uma transição de corpos. A separação do estado emocional de uma cultura medieval que se prendeu ao mecanismo humano. Não pagou a sua jura transcendental. Agora vendo as noites frias sem luar e as feras rosnando ao seu redor, a quem pedir ajuda. A velha tirania de sempre, porque não desligou o seu eu da sua memoria astral, preferiu sempre a terra e agora sem terra seus pés estão presos aos seus grilhões.

 

Humanos embebecidos pela terra oca e sem registros de amor. A evolução não é da terra, mas dos círculos espirituais. A terra no seu estágio nos cobra a atenção do nosso corpo que morre a cada minuto, cada segundo, a cada noite e cada dia. Mas o espirito milenarmente associado ao compromisso permanece inalterado.

 

_ Eu vou buscar um por um!

_ Salve Deus!

 

Conflitos de um ser errante que ainda prefere vingar-se. Mesmo sendo quem se tornou e como filho não acredita no Pai que ama indistintamente. Teve varias chances de mudar seu destino, mas sempre escutou a voz da terra e não a do céu. A terra contamina aos que dela se apegam com tanto sacrifício.

 

Ele não me deixou em paz, porque quem ouve escuta os clamores dos ecos perdidos pela capacidade de entender o significado de Deus.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

27.02.2018

 

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