A MORTE PEDE CARONA

Salve Deus!

 

Nós, muitas vezes, somos instrumentos de um mundo desconhecido.

 

Nesta viagem eu vi que somos usados pela morte para transportar muitos espíritos dentro de nossos veículos. Nós os arrastamos de um lado para outro nos tornando instrumentos de perigo nas estradas. Conforme o tipo do espirito nós passamos a chamar a atenção pela gravidade da energia e com isso muitos acidentes podem acontecer.

 

Este mortinho, que eu fui acompanhar, veio de muito longe. Ele estava dentro do porta-malas do carro e tinha endereço certo. Desde sua encomenda até sua entrega tudo estava calculado, mas sempre há imprevistos que podem atrapalhar uma viagem e ele ficará largado em algum caminho.

 

Ao chegar perto deste carro eu defumei retirando os resíduos da energia do mortinho. O porta-malas estava pesado, parecia um peso extra, algo que invisível chamava a atenção. Com a defumação aquela energia que restou ali foi desintegrando e libertando o veiculo.

 

Quando nossos mentores nos pedem para defumar nossas casas, nossos carros, nossas vidas é porque estamos sendo usados pelos espíritos para transportar outros em nossa aura. Uma corrente negativa é vista por muitos olhos e atrai os expectadores, os caçadores, fazendo também vitimas de um acidente.

 

No mundo espiritual não tem como evitar os confrontos de interesse, mas neste caso especifico, ele foi colocado dentro deste carro para não ser visto pelos seus inimigos do espaço. Ninguém o acharia, pois seria uma viagem breve, mas a vibração ainda estava muito acesa, o mortinho estava semiconsciente. O que resulta numa transição das energias do defunto para o espirito.

 

Nós somos missionários em muitas linhas. Somos conscientes de nossas ações e refletimos em cada experiência nossos compromissos. Para conhecer a nossa razão é necessária a dedicação ao mediunismo e corresponder a ensejo do nosso coração.

 

O espirito não estava mais no carro. O que havia restado era somente uma energia negativa, pois a encomenda fora deixada no local programado.

 

Vou contar um exemplo. Um mestre havia comprado um carro novinho e foi para o templo trabalhar. Chegando lá ele trabalhou muito para agradecer aquela conquista, e sempre em sintonia com seu carro. Onde ele ia trabalhar ele estava ligado no veiculo. Ao encerrar sua missão do dia ele já trocado de roupa entrou no carro e ao dar partida não pegava. Estranhou, o carro era zero, nada tinha de errado. E assim tentava sem resultado e já estava ficando nervoso. Tia vendo aquele quadro pediu para ele fazer três elevações na frente do carro. Atendendo ao pedido dela ele fez e sem entender o motivo o carro funcionou. Chegou perto para agradecer e ela lhe disse que ele ao fazer a sua missão, o seu sacerdócio, que não mentalizasse mais o material. Toda elevação ele vibrava no carro e com isso o espirito ia sendo depositado ali. O acumulo da energia negativa estava interferindo no sistema.

 

Sem entender bem a lógica ele se despediu de Tia e foi embora. A razão principal de nossa evolução está no silencio de nossa mente. Muitas vezes pensamos sermos os reis da goiabada, e sem queijo sofremos para mudar nosso destino.

 

Na esfera mediúnica temos que ter certeza de nossa intuição, sim, porque ela aflora na continuidade do exercício da nossa fé interior. Sem isso seremos sempre robôs místicos programados para errar. Um robô não sente amor, não tem paixão, não tem energia sentimental, não vibra.

 

O pacote fora entregue. O espirito mortinho deixou somente um rastro fedido dentro do carro. Às vezes ficamos incrédulos pelos acontecimentos, mas nas estradas tudo pode acontecer. Podemos evitar acidentes, as mortes, se tivermos em sintonia. Como uma vez que o sofredor não queria me perdoar e foi comigo na viagem de carro para Brasília e voltou fazendo um tormento em minha mente.

 

Limpem suas vidas dos males dos espíritos que ficam pedindo carona nas estradas. Como na história da rosa vermelha, onde a mulher esperava o carro do Mario Sassi que levava a clarividente para descansar. Tudo mudou quando a jovem Célia entrou na sintonia e assim Tia Neiva foi descrevendo a sua vida.

 

Salve Deus!

Meu Filho Jaguar

Esta carta tem um sentido mais profundo de amor, porque tudo começou da maneira mais original que já senti, vi, e ouvi, em toda minha vida, Deus fez o homem para viver cem anos neste mundo, e ser feliz no livre arbítrio onde ninguém é de ninguém, na liberdade total da alma que aspira nas afinidades do sentimentalismo, onde o Sol e a Lua, a chuva e o vento, tão distintamente controlados afetam.

Assumimos o compromisso de uma encarnação, e juntos partimos, não só pelas dívidas em reajustes, como também, pelos prazeres que este planeta nos oferece, sim, estando no espaço, devendo na Terra, sentimos desolados e inseguros, porque estamos ligados pelas vibrações contraídas. E neste exemplo, Jesus nos afirma que só reajustamos por amor. Tudo começou assim:

Viajava para uma estação de água, na velocidade do carro, uma linda mulher, marcando mais ou menos dois anos de desencarnada, emparelhou ao meu lado e como se estivéssemos parados e começou a contar sua vida que muito me impressionou pela maneira natural.

Morava na cidadezinha por onde eu passara, e que amava perdidamente o seu esposo Antonê, era como se chamava. Porém, perdi a segurança e comecei a sofrer e faze-lo sofrer, me inimizei com toda a família. Passei a viver num suspense terrível, se saíamos para uma festa, e ele estivesse alegre e feliz, eu começava a me torturar e acabava por manifestar qualquer mal, contanto que ele se sentisse infeliz e, estando triste eu começava também às minhas suspeitas.

Olha como martirizei a vida do meu pobre Antonê. Sim, de toda sua família. Não tive filhos, porque filhos me separariam e não me dariam tempo de correr atrás do meu marido. Pensava nos conselhos de minha sogra, conselhos tão queridos que me davam mais suspeitas, até que rompi com toda família. Então Antonê começou a mentir-me, um dia o vi conversando com uma moça que havia sido sua namorada. Fiz um escândalo terrível. Porém, desta vez ele permaneceu numa atitude afirmativa, e eu tive medo, depois ele disse num tom firme:

De hoje em diante, irei todos os dias na casa de minha pobre mãezinha, que você destruiu. Você não me impedirá. Sim, foi com se o mundo tivesse rodado para mim, parecia outro homem. A sua personalidade que eu não conhecia, desde então, fui perdendo o controle, já agora sentia imenso o que havia perdido, toda minha arrogância, sem recursos para lutar, Pois, só temos forças quando estamos na Lei de Auxílio, amando ou por missão, porém, não como eu odiando, comecei a sentir saudades do que havia perdido, chegava perto dele e, apesar de sua tristeza, ele sempre me correspondia.

Pensei ter um filho, pois, era o seu ideal, fomos ao médico, este, um velho conhecido, disse com a intimidade que tínhamos, que um filho não encomendamos quando queremos e, disse mais, pela minha expansão, falta de controle, eu havia me descontrolado e precisava de tratamento e religião. Saí dali pensando como recuperar o que estava perdido. Propus pedir perdão à minha sogra, porém, ele me advertiu-me que minhas cunhadas ainda estavam sentidas demais comigo, não deveria então, chegar até lá.

Fiquei isolada, porém, ele sempre meigo, cavalheiro comigo. Ele realmente me amava. Tínhamos uma fazenda perto dali, e ele todos os dias ia trabalhar sem a minha vigilância. Dois anos que eu já havia me moderado, Antonê veio me pedir uma assinatura para vender uma fazenda. Fazenda? Eu não a conheço. Como você comprou, sem me dizer nada, quem é que mora lá? Quem são as pessoas? Meu Deus! Não há ninguém, afirmava ele! Vou lá antes de você vender. Não! Chega, disse ele, não suporto mais e, quer saber? Não quero mais sua assinatura, e foi saindo. Antenor, o nosso vaqueiro, contou tudo que estava se passando:

Emilia, a professora e ex-namorada do meu marido, estava lecionando em uma fazenda vizinha, disse mais, ela não é amante dele. Eles apenas se queixaram de suas infelicidades. Por que, D. Célia, se referindo a mim, o Sr. Antonê, eu já vi sair daqui chorando, muitas vezes dizendo: Se eu não amasse tanto Célia, eu um dia saia daqui e não voltaria mais. Chega, gritei! Não quero mais ouvir.

Antonê foi embora e, eu saí correndo até a casa de minha sogra, porém Deus não deixou que eu a fizesse sofrer mais. Uma camionete me atropelou, me levaram para o hospital aonde vim a morrer. Não falava, porém via todos, minha sogra, meu marido e algumas cunhadas. Meu marido chorava com resignação, o padre veio e me deu a extrema-unção, foi só o que me lembrei.

E por muitos anos comecei a vagar, sempre me lembrando das palavras da extrema-unção, ressuscitar os mortos, então tinha medo de me afastar do cemitério e perder a oportunidade, não me encontrei com nenhum morto que fosse meu conhecido, apenas um Índio insistindo para que eu deixasse meu marido, em fim, que eu abandonasse o meu mundo, aquela cidade onde era tudo para mim, onde eu ainda tinha esperanças.

Todos os dias pela madrugada, um silvo muito grande nos despertava e eu ficava na expectativa da ressurreição, e como seria se eu não conhecia nada que pudesse acreditar. Porém a minha mente, já estava tão habituada a crer nas minhas calúnias, naturalmente, foi o fenômeno habitual. Este silvo vinha de um lindo homem vestido como um Romano Centurião, acompanhada de uma linda mulher Romana; diziam coisas lindas, levavam pessoas junto com eles, porém somente eu não me convencia.

Um dia chegou um enterro, pensei, quem seria? Sete dias depois do enterro chegou Lazinha, uma mulher que se havia perdido, e sempre estava presente. Nos vimos e eu quis fugir, como sempre, ela então me enfrentou. Célia aqui também? Este é o mundo que não pode existir orgulho, e com o mesmo cinismo me desafiava com o olhar. Novamente começou a contar o que havia sucedido; Antonê viajou; Inácio seu cunhado quase matou “Zeca” chofer da camionete que te matou, depois rematou, sabe eu vou embora daqui. Sim, uma coisa muito falada na cidade; ninguém veio no seu enterro (sim, pensei), no entanto, no seu Lazinha, foi tanta gente! Há! disse; graças a Deus, nunca infernizei a vida de ninguém, nem nunca levantei calúnia de ninguém, nem mesmo condenei Fugencio, que me desonrou.

Meus pais me botaram para fora da fazenda, sofri porem não condenei ninguém, hoje todos estão arrependidos e eu saí bem com todos, e agora vou-me embora. Pra onde? Nisto um Índio que se dizia chamar Tucuruí a foi levando pela mão, comecei a gritar ressurreição! Ressurreição! Espere a ressurreição. Não há ressurreição. Não é para uma cínica como eu. Oh! Meu Deus, como pude viver acusando e caluniando as pessoas, o que fiz?

Nisto vi de longe, lá na minha sepultura Emília e Antonê ajoelhados, colocando uma rosa vermelha na sepultura, dizendo algumas palavras, fiquei onde estava e pela primeira vez, senti aliviada. Emília que tanto a caluniei. Logo que saíram, corri para lá e abracei a minha rosa, a última esperança na Terra, pedindo a Deus por Emília e Antonê, nada me valeria a ressurreição. Esta rosa é minha última esperança de um perdão, se Emília me perdoa, todo o mundo me perdoará. Fiquei ali extasiada não sei por quanto tempo, até que Tucuruí, o mesmo Índio que levou Lazinha, me entregou à senhora Tia Neiva.

Meus filhos, eu então me lembrei do que ensino: a minha missão é o meu Sacerdócio. Mesmo naquela viagem de estação de águas, eu era a mesma Sacerdotisa dos Templos. Encaminhei-a com amor. E com o mesmo amor entreguei meus olhos, que somente, Jesus é testemunha se por vaidade eu me afastar um dia.

Carinhosamente a Mãe em Cristo – Tia Neiva

 

Fechamos nossos olhos para muitas verdades que se escondem com medo das nossas reações.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

15.02.2018

 

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