MUNDOS DIFERENTES

Salve Deus!

 

O resgate é uma prioridade dos missionários do amanhecer.

 

Viajando pelo universo paralelo vamos descobrindo as formas de vida em reinos diferentes. Umas são encantadoras e outras nem tanto, mas fazem parte do nosso caminho.

 

Nesta primeira viagem eu e minha ninfa chegamos de um mundo mais elevado trazendo no coração as imagens refletidas pela visão do espírito. Na segunda viagem ela não foi comigo, porque aonde eu iria, ela não poderia ir. Foi um resgate difícil, cheio de perigo, mas o chamado foi atendido.

 

Desci para uma faixa escura, lodo, fétido, um lugar abandonado, cheio de suspense. Ao chegar eu sabia que era uma missão e fiquei parado em certa parte deste lugar sombrio esperando qual era a missão. Ao fundo eu percebi uma movimentação e quando eu olhava aquilo parava. Comecei a andar em direção oposta e algo começou a vir na minha direção. Conforme eu andava mais depressa, mas aquele vulto se apressava. Não deu para ver naquele momento quem era ou o que era. Fui indo pra fora daquele lodo. Em certa altura aquele vulto já estava mais próximo e quando chegamos a ultima pinguela que separava os dois mundos eu fui alcançado. Era uma mulher, ela estava enlameada, estava perdida, não sei se era viva ou morta.

 

Quando cruzamos aquela ligação feita de pedaços de madeira, ela chegou e veio me agradecer pela ajuda.

_ Eu quero agradecer por você ter me mostrado a saída! Mãe Tildes vos pague!

_ Você é do amanhecer?

_ Sim! Eu sou de um templo do nordeste! Meu nome é Luzinete!

_ Salve Deus!

 

Quando falei nossa chave ela sorriu.

_ Você também é do amanhecer? Por isso não tive medo, algo me dizia que eu deveria te seguir! Você me tirou deste pântano! Eu entrei e não sabia mais sair deste lugar! Muitos espíritos eu vi quando me escondi com medo! Eles eram horrendos, deformados, monstros!

_ Sim! Eram espíritos caçadores, falanges que escravizam os demais que se lançam pela tristeza neste mar de lama!

_ Eu sou uma missionária e vim cumprir meu desejo de ajudar!

_ Mas não sozinha! Seu mentor não está com você! Você desobedeceu às ordens diretas e agora ficou presa nesta condição sofredora! Você não o escutou, preferiu se arriscar a que ter paciência!

_ Mestre eu estou indo embora! Agora já sei o caminho de volta! Fique com Deus!

 

Despediu-se e seguiu o seu caminho e eu o meu. Mas relembrando os fatos, havia dois espíritos a mais naquele lodo que eu não sei quem eles eram. Eles estavam sem luz alguma, estavam todos cobertos por uma grossa camada de lama.

 

Uma ninfa não pode se arriscar com seu plexo aberto nestes mundos que não oferecem condição de vida, nem Tia Neiva ia sozinha, ela sempre estava acompanhada. Já o jaguar homem pode, por ter seu plexo fechado, ele não sofre o desafeto de sua missão. Mas mesmo tendo seu plexo consistente ele ainda pode atrair uma corrente negativa, porque estamos lidando com mundos diferentes. O nosso padrão da terra é totalmente diferente do padrão espiritual e dependendo da faixa nós corremos perigo.

 

Somente o tempo pode nos alinhar com o universo. Somente o conhecimento pode acelerar nosso retorno às origens dos mundos encantados. Como é difícil manter intacto nosso involucro sabendo que somos pequenas centelhas cósmicas em transição pelos planos. Se eu vou sozinho é porque sei pisar na terra e no céu, sem causar estrondos e nem alardes desnecessários para não formar o alaruê da missão e do povo de Seta Branca. Todos saem em suas missões, mas poucos se lembram de suas histórias.

 

Pouco com Deus é muito. Negar o seu sacerdócio é como negar que seja missionário.

 

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

18.01.2018

 

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