DEPOIS DE MORTO…

Salve Deus!

 

O que segura um espírito na terra é o seu corpo físico. Não adianta querer depois de desencarnado se firmar na terra na energia dos outros. A mediunidade atrai os espíritos e se ela não for manipulada começam as enfermidades.

 

Lacerda veio esta noite na minha sintonia para que eu fosse com ele visitar os templos que ele nunca teve condição de ir em vida. Templos mais distantes, templos que também não podia ir, mas deixou uma grande ausência como adjunto. O povo Ypuena teve assistência direta do Ministro Ypuena, porque este guerreiro nunca deserdou seus filhos.

 

Fomos então a um templo bem distante, feito de pau-a-pique, chão de barro, simples, tão simples que nossa, mas lá estava fincada a cruz. Ao chegarmos nesta seara divina de humildade eu reconheci pela energia, não pela construção, porque era ainda não tinha estilo de templo. Ao chegarmos eu desci primeiro, sim, a energia ectoplasmática arrasta os espíritos junto. A minha energia segurou o espírito dele neste transporte. Entrei e ele veio logo em seguida. Os espíritos que estavam ali guardando esta casa nos ofereceram o seu amor em troca de nossa presença. Não havia água, ali tudo era escasso, porque era sertão.

 

Ao mover esta representação espiritual no plano invisível, nossos espíritos se configuram pela mediunidade. A nossa formação na terra nos dá forças para seguir adiante. Fomos e ficamos. Havia um projeto a ser sustentado nesta viagem para realizar a consagração dos ministros de Deus neste lugar. Formar a cultura, fazer a prospecção das energias celestiais para que tudo se ligue e interligue.

 

Lacerda estava muito magro. Mas os espíritos não representam através da morte os seus físicos. Eles são energia sutilmente desagregada, uma película que se move na dimensão. Mantém este nome porque ele foi reconhecido em terra, mas geralmente eles usam de seus nomes primitivos, de sua origem. O que guardamos em nossos sentimentos são as obras que participamos. Eu posso ir como adjunto, posso ir com outra roupagem, tudo vai depender de onde eu esteja. Se eu for para um resgate em algum ciclo preso no tempo eu tenho que me apresentar com aquela imagem encarnada. Eu não posso ir com outra, pois não seria reconhecido pelas minhas vitimas.

 

Como é linda esta transfiguração do espírito missionário. Vocês não podem imaginar as grandes caravanas em busca dos inconformados. De dia abrimos os portais do templo e a noite nós atravessamos estes portais. Vamos, como disse Seta Branca, com nossos pés sagrando em busca dos que se perderam de Jesus. Caminhar e caminhar. Se não vamos no físico, vamos no espírito.

 

Por isso este espírito veio me procurar esta noite. A solução para ele seria reencarnar de novo para tentar se aproximar do seu povo, mas em qual situação ele viria. Sem um nome representativo, sem uma escolha, talvez em outro país, tudo apagado para recomeçar, um novo amanhecer, um novo anoitecer. A solidão se dispersa pela orientação e os espíritos não se desapegam sem que sejam devidamente desintegrados. Desintegração aqui é da energia resultante desta encarnação. Fogo pelo fogo, água pela água.

 

Quando assumimos nossa condição de mestres, vejam bem, mestres e não lanceiros, nós juramos a disciplina mediúnica para a realização de um comando maior. Ao chegarmos no altar divino depositamos nossas heranças, lanças, e saímos sem nada para pesar em nossos corações. Aos poucos vamos estruturando nosso mundo para a chegada das juras transcendentais. Aquela lança vai ser magnetizada pelas forças do astral para que seja usada em prol da grande libertação. Ela vai vibrar com intensidade para abrir os portais e assim fazer o trabalho de resgate de um mundo para outro.

 

Eu fujo um pouco da história tentando mostrar o resultado no espelho da nossa imagem. Foi quando um jaguar de uniforme veio ao nosso encontro nesta pequenina casa de Seta Branca. Alguns espíritos que não eram da nossa linha estavam grudados ali e não queriam que ela fosse pra frente. O presidente estava com problemas sérios em sua vida material. Tudo que ele tinha lhe fora tirado para que ele não seguisse este caminho, mas ele era jovem e não se ligava muito nesta situação. Tratava esta pendência como coisas da vida, coisas que até então nunca tivera.

 

Os espíritos quando nos viram chegando desocuparam esta casa ficando distantes esperando poderem voltar. Ali houve uma contagem de forças, porque todos somos filhos do mesmo pai. Se não se unirmos fisicamente, nossos espíritos vão ter muito trabalho nesta dimensão para quebrar as argolas do destino karmico. O endividamento espiritual começa pela terra.

 

O Lacerda precisava de mim, de minha cultura mediúnica para refazer a sua trajetória no plano denso. Sem a energia do corpo físico o espírito não se prende pela terra. Ele fica sem chão, os espíritos não andam na terra, eles flutuam, se encostam em quem tem energia para poderem permanecer atuando. Por isso muitos casos de obsessão espiritual, pois somente assim eles conseguem se prender ao nosso mundo físico.

 

Mestres e irmãos, façam tudo que puderem fazer nesta vida missionária, porque depois todos serão esquecidos, a terra se incumbe de fechar as portas da memória. O tempo apaga todas as lembranças e sem lembranças o espírito sofre.

 

Quando eu falei em riqueza material e espiritual, eu disse que somos ricos de todas as formas. Para um espírito de luz um grão de areia é uma fortuna, mas para um sofredor um deserto inteiro não lhe serve para nada.

 

Fizemos a missão pedida. Despedi-me do Lacerda e o deixei lá neste templo, na energia daquele povo. Eu tinha que voltar, meu físico estava reclamando minha ausência. Ao chegar aqui, nesta missão, vemos que nos tornamos um canal sensitivo entre o céu e a terra. Outros espíritos aguardavam a chegada.

 

Como ontem nos trabalhos no templo. A mulher desencarnada chegou aos prantos. Ela veio para ser socorrida, mas o médium que iria fazer esta libertação não veio para os trabalhos. Ela ainda ficou aguardando ele chegar, mas ele não veio. Ela foi encaminhada sem se despedir, pois não havia fluido daquele mestre no templo. Por isso em cada trabalho na casa de Seta Branca é uma nova oportunidade e pode ser aproveitada ou desperdiçada. Ninguém sabe o que espera neste dia de atendimento. Pode ser um encarnado ou um desencarnado que venha para ser recebido. É isso que os médiuns não se ligam muito, porque ao dizer que hoje eu vou para o templo, seu cavaleiro ou guia missionária já estarão de honra e guarda esperando sua chegada. Se você não veio para registrar sua presença, seu cavaleiro veio. Há uma decepção com a responsabilidade não assumida. Uma divida a mais a ser reparada.

 

Um dia um jaguar registrou que iria fazer um abata no templo mãe. Mas naquele dia ele não foi, mas seu cavaleiro foi e ficou aguardando ele chegar. Tia viu no quadro espiritual do filho doutrinador esta irresponsabilidade e disse para ele que fosse sozinho fazer seu trabalho, pagar ao seu cavaleiro a sua falta de conduta. Ele teve que ir fazer seu abata sozinho nas esquinas do vale.

 

Missão é missão, e não brincadeira de criança. O fluido espiritual é que ascende a chama branca da vida. Um adjunto de povo não deve fica somente plantado em sua vida terrena, ele deve percorrer os caminhos para sincronizar os corações.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

04.01.2018

 

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