RECICLAGEM

Salve Deus!

 

Depois da tempestade vem à bonança.

 

Ao subir esta noite reencontrei com um velho novo cobrador. Tive que fugir de seu ódio, pois a desmoralização é a pior cobrança que um ser pode suportar. Este espírito veio atrás, ele queria me atingir, queria me destruir, por este motivo eu saí de sua vista.

 

Ao despistá-lo fui cuidar da minha missão. A missão desta jornada era a reciclagem dos espíritos que perderam a linha mestra de suas evoluções. Chegando em Mayanti, os que foram suspensos de suas atividades mediúnicas aguardavam em uma ampla sala. Era preciso reciclar para poderem voltar as suas missões e sem isso não estavam autorizados a permanecer nos seus destinos.

 

Muitos encarnados subiram esta noite e outros já desencarnados se preparavam para seguir suas origens. A aula começou simples e foi se tornando mais séria a partir dos diálogos formados em cada coração. Ali não importava quem era quem, mas sim, o que fez para perder sua identificação mediúnica. Havia mestres muito mais preparados do que eu, e então eu me perguntava, porque eu estaria ali.

 

_ Consciência meu mestre, consciência! Aqui o que prevalece é a integridade espiritual, o amor e não a postura social!

 

_ Mas se todos têm esta consciência, porque eu!

 

_ Todos tem a consciência física e não astral!

 

_ Salve Deus!

 

Quando a aula foi se tornando obediente aos ensinamentos da responsabilidade que ilustra o jaguar, chegou atrasado um mestre e na sua plaquinha dizia Tarajo. Um espírito preparado para as conquistas, mas porque ele veio parar aqui nesta sala de aula, chegou quieto, não falou nada, somente ouvia. Eu via no seu semblante uma preocupação, algo estava destoando do seu reinado.

 

Como a verdade é o recomeço da luta para não cairmos em tentação pelo poder emanado, os mestres se sentem deuses da idolatria humana, esquecendo que somos físicos e espirituais, e não podemos nos desviar da nossa imagem. A transição do sistema mediúnico não comporta mais a desobediência cristica, ou então seremos largados na mesma estrada do ontem.

 

A aula prosseguia normalmente e muitos instrutores espirituais vinham para fazer uma pré-avaliação da aceitação desta reciclagem. Eram seres de alta hierarquia, ao termino do módulo eles faziam as prerrogativas de manifesto. Assim este curso tinha sete aulas que era justamente a entrega de suas credenciais. A sala de aula se tornou um ponto de amor e justiça celestial. Alguns espíritos estavam soberbos e outros mais humildes, mas a aula continuava, era preciso retornar ao principio sem manchar o conteúdo da vivencia.

 

Quando eu olhei para fora eu vi o meu cobrador me procurando. Este homem veio para me desmoralizar, sim, ele queria me atingir de alguma maneira para saciar a sua vingança. Como pode ainda pela necessidade do karma as pessoas não verem as luzes multicoloridas bailando no universo.

 

Eu não dei as caras, porque o cobrador irado é mais terrível que um espírito das sombras, ainda mais quando ele está encarnado e com seu plexo ativado se torna um ser perigoso. Não se pode dar um passo em falso que ele vai estar coladinho esperando à hora do bote. Ele não teve autorização para entrar, somente quem foi designado pela espiritualidade para reciclar.

 

Quando chegou no sétimo modulo, veio então o instrutor chefe e deu ordens para entregar os certificados. Estavam, então, todos liberados para reassumir seus compromissos missionários. Mas o que chegou atrasado não podia receber de volta, sem antes cumprir o tempo que sua recuperação. Não sei quem é este homem na terra, mas seu espírito estava sendo reprogramado para as leis: Humildade, tolerância e amor.

 

Mestres, o que se passa além da cortina é algo muito maior que nossa imaginação. Lá não existe graduação, existe consciência, somente isso. A graduação deste exército é somente na terra, para que cada um sacie sua forma de encarar seus compromissos. Quem foi rei nunca perde sua majestade. Como um espírito que teve ao seu comando legiões poderia saciar seu coração estando apona. Assim na terra como no céu. Só que pela indisciplina mediúnica eles perderam suas credenciais e não estavam ultrapassando o neutrôm. Na terra formam seus cantos, mas não estavam chegando ao reino central. Tudo girava somente no circulo esotérico e não no espiritual.

 

Um olho na missa e outro no padre, velho ditado popular. Sim, eu aplicava a reciclagem e sempre mantinha meu cobrador a vista. Sabia onde ele estava, o que planejava, e assim não me distraia. Orai e vigiai.

 

O que mais me chamou a razão foi que para sermos instrutores universais é preciso ter consciência de sua missão. Mesmo eu tendo pouco conhecimento doutrinário, em vista dos que sentados ali estavam, a espiritualidade confiou no espírito em deslocamento. A nossa tribo chegou numa esquina do destino que é crucial, seguir adiante ou parar. A sacerdotisa trazia mil luzes para esclarecer o homem jaguar, formava a cultura dentro dos corações, e agora, sem ela, como fazer para chegar a nova era.

 

Como é difícil entender estes missionários. Ninguém mais baixa sua cabeça em sinal de respeito, pois entendedores das leis se tornaram escravos do físico. Na terra pensam de um jeito, mas não chegam no céu, pois conquistaram somente o material.

 

Eu tive que voltar sem ser visto. Quando o responsável pela reciclagem autorizou a entrega das autorizações espirituais, eu me vi numa redoma de energia.

_ Já pode entregar aos seus irmãos e segue seu destino!

Esta redoma me trouxe em segurança para meu físico. Despedi-me no silencio da mente e não deixei rastro para ser encontrado.

 

Quando vamos em missão com nossos mentores, nós somos guiados pela força direta, se forma dutos que seguem aos destinos. Mas para viajar pelas camadas magnéticas nossos espíritos tem que ter proteção. Os ministros e ou cavaleiros formam uma força em torno de nossos espíritos para não sermos esmagados pelas camadas. Cada portal é uma dimensão diferente, sim, e para estarmos em uma destas camadas temos que ter condição espiritual para não perder a memória. Um espírito sem memória não registra os feitos na dimensão invisível.

 

Por isso eles escolhem pela consciência astral e não pelo conhecimento. Todos já têm conhecimento de sobra, mas ainda não tem o despertar da individualidade. Até as cobras morrem pelo próprio veneno, no perigo elas se inoculam preferindo a própria morte a ser morta pelos seus inimigos.

 

A quem vamos culpar, a nós ou aos nossos vizinhos. Vamos então para o milenar para trazer o espírito que ainda se diz vitima desta cobrança. Temos a técnica de desdobramento e com ela pode ser desencarnado ou encarnado, a sutileza gera gentileza. Aqui pela natureza cósmica temos ordens de separar os corpos e cada um recebe em conformidade ao seu merecimento. Um dia vou contar mais sobre a personalidade e a individualidade e como separar uma da outra. Técnica ensinada pela clarividente no curso especial de 1980 a 1984.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

23.11.2017

 

Sair da nossa lista:

Receber/Deletar

Deixe uma resposta