A VISÃO ANTECIPA A MISSÃO

Salve Deus!

 

Quando nos cegamos nós deixamos de ver a beleza dos nossos irmãos.

 

Eram nove horas da manhã de ontem, sábado, quando Seta Branca prenunciou sua chegada ao templo. Eu tive uma reação em meu coração, pois nosso pai estava vindo nos abençoar. Sabe aquela alegria espontânea, você se sente feliz assim com poucas coisas, assim é a luz de nosso pai, ela nos alegra somente de projetar seus raios cósmicos sobre nossas cabeças.

 

Fiquei em sua sintonia até as 15 horas da abertura do nosso intercambio. Na abertura dos trabalhos ele já estava no templo, pois a preparação decorre da manifestação direta de sua bondade. Eu digo que Seta Branca é um espírito corajoso e guerreiro, pois mesmo vendo cada coração de seus filhos ele não perde a esperança de transformar, de colocar amor, de ser aquele grãozinho de areia para estar na mesma estrada.

 

Mas ao ele descer no templo senti seu amor, mas de preocupação com o mestrado. Ele não disse um ai, somente manipulou reabrindo a fenda que nos liga a Deus, pois o jaguar já teve sua porta e não acreditou, preferiu a dor ao amor.

 

Preocupação com o mestrado e as muitas desorganizações na linha mater. Um dia eu, no templo mãe, estive conversando um uma entidade da esquerda, Sete Flechas, ele me confidenciou que já estava no comando. Ali tudo pertencia a ele, pois seu pacto foi com Tia Neiva e não com estes homens que não respeitaram mais a seta imaculada. Se os próprios membros estão se digladiando entre si, porque ele não iria formar seu exercito dentro da aruanda.

 

Quando eu estava doutrinando este espírito nos tronos, com o cacique ao meu lado dando sustentação para este trabalho, veio o comandante e pediu para encerrar, porque estavam com pressa de encerrar o trabalho do dia. Naquele instante o cacique tomou o apará novamente e com uma lágrima nos olhos agradeceu ao comandante do trono e subiu. Eu fiquei triste, pois o objetivo que ele me concedeu foi de conversar com a entidade e colocar um ponto final nesta articulação dos vales da incompreensão.

 

Aqui eu tenho acompanhado de longe, ou de perto, toda a movimentação dos dirigentes da doutrina. A princípio sobre a nossa condição sofredora humana é relegada ao terceiro plano do endividamento, porque a visão se antecipa a missão. Quando eu vou em missão, vou escoltado pela força de um continente, não vou só, vou abrindo caminho entre os espinhos e pedras pontiagudas para chegar ao destino. Se este destino não me recebe eu volto a minha origem e me aquieto, fico ao longe vendo as trevas tragarem o firmamento.

 

Estas foram às muitas batalhas dos missionários de hoje, sempre empunhando suas lanças, sempre lutando contra seus próprios irmãos, sempre matando a esperança. Ao revelar o sistema de atuação da divisão eu recebi como resposta as duras penas da condenação, porque a visão ao longe revela a posição dos dias atuais. O que acontece no futuro o presente se antecipa pelo passado.

 

Eu subi esta noite com a energia de Seta Branca. Eu não me afasto deste comandante por mais dura que sejas as ofensas. Ele é Pai e não carrasco, mas para toda decisão existe um limite de impacto que bate nas camadas, sim, jaguares, Pai Seta Branca tem sido ofendido pelos espíritos contrários a sua missão. Eles riem de sua missão, porque seus próprios guerreiros estão se matando aos poucos. Os oitocentos soldados de sua corte estão em honra e guarda, estão se movimentando para realinhar a conduta, nem que para isso seja preciso tudo virar pó para se reiniciar do zero.

 

A preocupação se fez notória neste dia de trabalho. Ele não me falou, mas eu ouvi pelo seu coração o significado da sua luta para nos elevar na condição sublime do mestre sol e mestre lua.

 

A grande sacerdotisa deverá tomar as rédeas deste povo, quando menos esperarem ela voltará com as ordens diretas do céu. Só que agora ela tem um caminho diferente, pois a vida na terra a está preparando para com sua individualidade mostrar os efeitos da missão. Ela organizou o sistema e ninguém pode desorganizar sem consentimento da espiritualidade maior.

 

Primeiro, há que se desindividualizar a missão, depois começar a pesar os corações na eterna balança. A separação do joio trará o prenuncio da guerra, mas o fermento dos fariseus não brotará na centelha divina. O templo com suas três portas, uma já está fechada, vai atravessar os eternos vales secos, pois a multiplicação do pão não saciará a fome, nem a água varrerá as impurezas e nem o vento soprará as enfermidades. Um sistema de luto e gritos sufocados.

 

Isso são as minhas palavras, pois Seta Branca não disse nada além que pudesse magoar seus filhos. Como pai ele não perde a sua esperança de que algo seja mudado no destino karmico, no livre arbítrio, pois a cada decisão mais complicada que seja pode se tornar um caminho.

 

Eu estou longe e ao longe não há impregnação direta. Sofremos por arritmia indireta, é quando o reino central falha e os raios se apagam, sem a força continuada nós somos esquecidos. A nossa energia é continua, se a usina deixar de fornecer os polos não se ascenderão. Não tem siglas que continuem a receber as forças, pois existe um canal central e a emissão se torna direta.

 

Olorum chegou:

_ Meu filho, nós precisamos de você!

 

Obatalá:

_ Meu filho eu estou a cada dia mais próximo desta missão!

 

Porque o homem desta tribo prefere rastejar pelos cantos sem que sua lança brilhe nesta missão. A queda de *Constantinopla, eis a dubiedade das nossas fraquezas.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

19.11.2017

 

A queda de Constantinopla é um fato de extrema importância em termos históricos. Para que se tenha uma dimensão dessa importância, basta pensarmos que o dia em que ela ocorreu, 29 de maio de 1453, foi por muito tempo (e ainda é, em alguns casos) considerado o marco do fim da Idade Média e início da Idade Moderna. A queda de Constantinopla foi o símbolo do declínio do Império Romano do Oriente (também conhecido como Império Bizantino), inaugurado por Constantino – que havia dado seu nome à cidade – no século IV d.C. Esse mesmo acontecimento marcou também o triunfo de outro império, o Otomano, que se formou a partir de um sultanato turco, em 1299, e foi o responsável pela conquista de Constantinopla.

O Império Romano do Oriente representava, na Idade Média, o que ainda havia de mais poderoso, em termos institucionais, herdado da antigo Império Romano. Por estar localizada em um lugar estratégico da Anatólia (Ásia Menor), Constantinopla sempre foi uma cidade cobiçada por diversas civilizações. Muitos tentaram subjugá-la, desde bárbaros, hunos e até os cavaleiros cruzados cristãos.

Os ataques frequentes acabaram por deixar as defesas da cidade em péssimas condições, e o seu território, drasticamente reduzido. Ainda que durante o século XIV tivessem negociado várias vezes com os bizantinos, na época do imperador João V Paleólogo, os otomanos, que disputavam espaço na Anatólia, sob o comando do sultão Mehmed II, deram o golpe fatal contra a cidade. Famosa por sua muralha que a protegera por séculos, Constantinopla não foi capaz de resistir ao poder dos canhões otomanos. Com a batalha vencida, Mehmed II logo se prontificou a estabelecer vínculos simbólicos com a cidade. A principal referência cristã de Constantinopla, a basílica de Hagia Sofia (Santa Sabedoria), foi transformada em mesquita no mesmo dia em que os otomanos conseguiram transpor as muralhas, como narra o historiador Alan Palmer:

Quando o Sultão Mehmed II entrou em Constantinopla em seu tordilho naquela tarde de terça-feira, foi primeiro a Santa Sofia, a igreja da Santa Sabedoria, e pôs a basílica sob sua proteção antes de ordenar que fosse transformada em Mesquita. Cerca de sessenta e cinco horas mais tarde, retornou à basílica para as preces rituais do meio-dia da sexta. A transformação era simbólica para os planos do Conquistador. O mesmo aconteceu quando insistiu em investir com toda solenidade um erudito monge ortodoxo no trono patriarcal, então vago. [1]

Um tempo depois a cidade de Constantinopla receberia o nome de Istambul (nome que significa “na cidade”) e se tornaria a sede do Império Otomano. Esse Império sobreviveu até o início do século XX, quando ocorreu a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o que provocou o esfacelamento de sua unidade.

 

 

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