RIO DE JANEIRO

Salve Deus!

 

Nas longas viagens com destino certo nós vamos conjugando o verbo amor.

 

Nesta viagem eu me deparei com uma cena muito diferente da habitual. Era a cidade do Rio de Janeiro e o que me espantou foram os espíritos clamando pela intervenção de Iemanjá. Eu cheguei pelo mar e nas areias se formou um corredor de espíritos que se prolongava até o interior da cidade. Era como se fosse um corredor duplo, no meio um espaço para a chegada de nossa Rainha e aos lados a multidão esperando.

 

Todos de braços semi levantados fazendo suas orações. O choro da emoção de receber uma bênção, um sinal, e o mar depositava aos pés dos pedintes a energia da coragem, da força, da luta pela valorização da vida. As ondas iam e quebravam dando demonstração viva de que estavam sendo ouvidos.

 

Ouvindo mais de perto era a musica cantada para Nossa Senhora:

Cubra-me com seu manto de amor

Guarda-me na paz desse olhar

Cura-me as feridas e a dor me faz suportar

Que as pedras do meu caminho

Meus pés suportem pisar

Mesmo ferido de espinhos me ajude a passar

Se ficaram mágoas em mim

Mãe tira do meu coração

E aqueles que eu fiz sofrer, peço perdão

Se eu curvar meu corpo na dor

Me alivia o peso da cruz Interceda por mim minha

Mãe, junto a Jesus Nossa Senhora me dê a mão

Cuida do meu coração

Da minha vida, do meu destino

Nossa Senhora me dê a mão

Cuida do meu coração

Da minha vida, do meu destino

Do meu caminho

Cuida de mim

Sempre que o meu pranto rolar

Ponha sobre mim suas mãos

Aumenta minha fé e acalma o meu coração

Grande é a procissão a pedir

A misericórdia, o perdão

A cura do corpo e pra alma, a salvação

Pobres pecadores oh Mãe Tão necessitados de Vós

Santa Mãe de Deus, tem piedade de nós

De joelhos aos Vossos pés Estendei a nós

Vossas mãos Rogai por todos, nós

Vossos filhos, meus irmãos

Nossa Senhora me dê a mão

Cuida do meu coração

Da minha vida, do meu destino

Do meu caminho

Cuida de mim…

 

Foi então que os espíritos agoniados pelo sufoco da transformação entoavam este cântico. Eles pediam e pediam, pois o alvoroço da nova era estava batendo com força em suas portas pedindo para entrar. A cegueira karmica dos destinos mal vividos fechou o ciclo das bênçãos espirituais e os espíritos vingativos e desordeiros tomaram conta desta cidade.

 

Eu fiquei no mar, não entrei nesta via de mão única, porque os imperadores ainda estavam acrisolados nos corpos e nas mentes dos asfixiados pelo destino. Uma ou outra onda se erguia com mais força e era aclamada como a salvação, mas tão logo saciava a força dos ventos e o mar se recolhia.

 

A multidão ficou ali. Eles ficaram esperando respostas a dor do coração, é como se fosse a dor do parto, no momento todos gemem, mas depois esquecem e vão novamente colidir com seus algozes. As duras penas da morte pela violência desenfreada que assola esta cidade, os reencontros com os encouraçados, muys, espíritos sem amor e com cheiro da morte.

 

Mais uma onda se ergueu, agora um pouco mais distante. Eu presenciava com tristeza o sofrimento de um povo, nossos irmãos, mas a escolha de cada um agora mostra o desleixo social. A fila não debandava, só aumentava, a multidão se espremia com mais intensidade e as vozes soavam pela eternidade. Os povos das águas estavam todos em silencio, estavam observando a reação, mas até que ponto isso seria verdade, a adoração a Nossa Senhora, pois o homem em sua frieza se tornou trampolim para os males físicos e espirituais.

 

As grandes cavernas se abriram sob o Rio que agora terá que conviver com a sua história entre os personagens vivos e as noites frias sob o estrondo dos tiros e dos gritos sufocados pela dor.

 

O mar mais distante. Cada dia mais se distanciando dos seres habituais com impregnação negativa. Nossa Mãe Iemanjá, Salve Deus, pelo amor de seu filho Jesus, mostrais a esta cidade o verdadeiro caminho da evolução. As ondas quebraram com força e entrando pela orla foi lavando as almas perecidas. Era um luto de temor e ao mesmo tempo alivio das amarguras. O mar estava lavando esta cidade pelo pedido dos espíritos que suplicaram a nossa Rainha do mar uma intervenção espiritual.

 

Agora, pela terra haverá mais confrontos entre a verdade e a inverdade, destino infernal das almas perdidas no purgatório dos seus destinos. A terra irá se abrir e engolir os que estão escravizando pela força da morte os bons e corajosos homens de bem.

 

A quem pertence nossos destinos!

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

10.11.2017

 

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