PATRONO ESPIRITUAL – parte dois

Salve Deus!

 

Novamente ouvi o chamado e fui para ver esta ocorrência.

 

A missionária estava preocupada, haviam chegado recentemente alguns espíritos de um cemitério e eles tinham tendências religiosas e não aceitavam nada que os fizessem compreender o porquê deles estarem ali.

 

Vejam bem, cemitério, poderia ser até o mesmo que eu percorri em outra situação.

 

Ao chegar na ala reservada para estes espíritos, eles estavam assustados, desnorteados com a saída do cemitério e por isso não aceitavam este deslocamento. Queriam ainda aguardar a tal ressurreição dos mortos. Com muita calma comecei a estudar como chegar até eles sem revoltá-los mais ainda. Como a freira me disse, são tendenciosos religiosos e isso os torna perigosos em relação à vida após a morte.

 

Havia ali espíritos em diversas situações. Os do cemitério e os que estavam no lodo. A situação convergia para alinhar seus pensamentos, seus destinos, pois quando da missão nos vales dos desencantados a gente leva a energia libertadora e aos poucos eles vão se soltando de suas prisões.

 

Muitos espíritos presos as suas dores, situação muito triste, mas como missão é preciso reconhecer o destino de cada um que se prende a sua ideologia religiosa. No meio desta gleba de espíritos havia também os suicidas, espíritos que morreram por não compreenderem suas missões. O vale dos desencantados é uma planície, não existe nada, é como uma natureza morta, queimada, somente cinzas.

 

Ao chegar nesta escola de recartilhamento dos sofredores a freira me disse que somente uma energia como a minha, ectoplasmática, daria um choque de realidade neste povo. Combinação da energia física com a espiritual, sim, pois eles me veriam como sendo da terra e não fluidicamente. Nós carregamos um pouco do peso da encarnação que nos submete a avaliação karmica. Ao entrar nesta ala reservada eles me viram e tão logo foram dizendo:
_ É ele, é ele quem esteve com nós em nossa morada eterna.

Mas não entendiam como chegaram e porque estavam ali. Houve um principio de perturbação, mas tão logo a energia foi acelerada, todos foram se acalmando.

 

Comecei um trabalho de conscientização. Não havia religiosidade no esclarecimento, mas a profundeza da evangelização. Aos poucos com o domínio da situação e as palavras do evangelho de Jesus, eles foram sentando por ali mesmo, queriam ouvir a pregação, e isso facilitava a minha doutrinação.

 

A freira pode então entrar no recinto e já mais calmos eles aceitaram sua presença. Mesmo ela sendo uma freira de uma ordem cristã, ela entendeu que a religião não faz parte deste cenário, tudo muda conforme o entendimento de cada ser. É ser somente uma missionária de Deus, sem estar amarrada aos dotes de um sacrifício. Ela ficou neste convento das Carmelitas por muitos anos até sua partida. Jejuando, sacrificando em prol do Cristo, e isso lhe causou também uma divida com suas heranças transcendentais. Não pagou seu karma e agora assumiu este compromisso aqui no etéreo plano para resgatar os que gemem e sofrem as suas intempéries.

 

Ela sorria, estava feliz, pode compreender o que é missão. Assim com sua felicidade ela irradiava aos sofredores que ali chegaram, pois era uma plataforma de despedida. Eles estavam subindo para a eternidade, seus laços espirituais. Alguns mais conscientes já estavam de malas prontas para seguir suas origens, outros ainda deveriam prestar contas dos seus atos na terra, deveriam retornar para se capacitarem a um novo período de incubação.

 

A pior coisa para um espírito é quando ele provoca suicídio, ele perde todos os direitos espirituais e fica estrangulado na ponta de uma corda. Parece que a corda fica presa no seu pescoço mostrando a sua morte. Os suicidas não têm direito a nada, eles vão para o vale dos suicidas e lá ficam morrendo aos poucos. Os espíritos não morrem, mas neste caso a morte é subjetiva, eles têm que sentirem pelo resto dos seus dias da terra a sua morte. Se eles fossem viver 80 anos na terra e suicidaram aos trinta, os cinqüenta anos que restavam eles vão ficar sempre morrendo, é uma situação muito triste.

 

Os mortinhos do cemitério se acomodaram nas dependências desta casa transitória. De repente aquele homenzinho veio em minha direção:

_ Tá lembrado de mim!

Eu olhei para ele e vi quando estava no lodo o mesmo que me ajudara a sair de lá.

_ Estou sim! Salve Deus! Como você chegou aqui!

_ Quando você esteve lá eu presenciei uma luz que entrava por aquele buraco que passou! Eu queria sair de lá, já não aguentava mais aquela prisão! Foi então que tive a coragem de sair e a luz me puxou para cá!

_ Salve Deus!

 

Dizendo isso ele foi se sentar com os demais e ouvia com muita convicção o que a freira falava. A missão dos missionários se difere dos que não tem esclarecimento. A nossa missão não é ficar discutindo teses e saber quem é quem. Nós assumimos, juramos, este compromisso de estar sempre caminhando, sempre ajudando, sempre orientando. Como disse Seta Branca: “com os pés sangrando na busca pelos vossos irmãos”.

 

Jesus não parou, ele sempre estava caminhando, sempre ensinando, sempre libertando. A nossa presença em determinados planos, em diversas situações, uns mais sofridos e outros mais leves, nos ensina o verdadeiro amor aos menos esclarecidos. Temos que ter muita tolerância, muita humildade e muito amor para suportar as provocações dos enfermos. Sim, mestres, a enfermidade é algo que atinge os encarnados quando eles subjugam aos demais os tornando incapazes de sentir, ouvir e falar. Eles tentam passar uma mensagem errada aos espectadores, porque se sentem sabedores da verdade e só eles que entendem.

 

A vida em dois planos. Se nós fomos preparados em nossa missão para levar e elevar as energias, porque tanta duvida neste carreiro terrestre. Muitos veem e sentem a transformação, outros nada, mas isso não impede que sejam missionários. Uns estão na terra e outros no céu, a combinação deste fermento cristico nos assegura o caminho da verdade. Quando temos muito fermento no coração nós acabamos doando um pouco dele para outros que nada tem. Este fermento vai sendo cultivado no âmbar do espírito e ele vai fomentar novas conquistas.

 

Os espíritos já estavam aceitando a redenção cristica. Eu me despedi da missionária e voltei para casa. Minha casa, minha pequena morada com data e hora certa.

 

Chegando aqui no meu leito olhei para meu físico que recebia a documentação deste transporte. Semiconsciente, sim, pois no momento do enlace tudo pode se perder, mas a memória ativa registra os fenômenos do espírito. A transição do estado emocional para a razão se liga pelo interoceptivel.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

06.11.2017

 

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