DUPLA VIDA

Salve Deus!

 

Na terra são inimigos e no céu amigos.

 

Um casal, sim, ela com um ramalhete de flores em suas mãos e ele ao seu lado entrando no meu sonho. Era a coisa mais linda que eu já havia visto, porque eram verdadeiros amores. Foi quando chegou o mentor responsável por eles me dizendo: “Aqui no céu são dois espíritos da mesma origem, mas na terra é um casal de inimigos mortais. Eles sofrem o temperamento de suas juras transcendentais, pelas quais se uniram para resgatar seus companheiros largados na margem do rio”.

 

Eles são colocados a prova do fogo, sim, pois os que foram destruídos estão atuando de maneira a criar um rompimento neste elo para que cada um siga o seu destino. Assim quebra uma jura que somente os dois completariam estando unidos.

 

Isso começou há muito tempo atrás, império *Constantino, como eu vejo agora, porque foi o primeiro imperador a se converter ao cristianismo, mas não a tornou como religião oficial. Este casal era da corte de Constantino e tinham suas regalias e muitos escravos ao seu dispor. Em uma destas participações muitos foram degolados pelo abuso do direito de posse sobre as vidas.

 

Foi, então, que esta noite os dois vieram me visitar. Trazer as boas recordações de um passado remoto que ainda está marcado pela discussão de teses da filosofia moderna. Duas almas que se propuseram a passar pelos mais difíceis testes de convivência, amigos inimigos.

 

Quando eu estava no aledá da pira abrindo o canal de sustentação das forças eu os recebi, parecia um casal prestes a se unirem pelos laços do casamento. Sorrindo, felizes, bendizendo a vida espiritual, mas em contratempo na terra a morte estava à espreita. Havia um segredo que uma jura transcendental estava cobrando. A infelicidade da separação, porque cada qual seguira seu destino, um pela terra e outro pelo céu, curvando seus espíritos as suas transcendências. Iriam então falhar na missão que juraram. E quando falha assume mais uma reparação.

 

Daqui os dois estão caminhando juntos, mas e quando a terra os separar pelo destino. Um vagará na busca do seu amor e o outro será castigado pela cobrança.

 

Ao chegarem em frente ao aledá depositaram o ramalhete de flores aos meus pés, deram suas mãos, viraram suas costas e foram embora. Despedida, não sei. Recomeço, talvez. A quem vamos culpar ou inocentar. A vida que nos rege é um seguimento da nossa participação dentro da nova era. Somos felizes hoje por entender um pouquinho a mais quem somos.

 

Ao saírem pela porta do templo um aceno de adeus. Eu fiquei parado tentando entender este significado que se chama evolução. Seria preciso morrer para entender a vida, ou renascer todos os dias respeitando a morte. Não a morte dos sonhos, mas a morte da nossa participação nos enredos da história.

 

Naquele mesmo momento o mentor seguiu seus passos dando sinal que muita coisa iria mudar para este casal. Olhei para as flores caídas ali no altar sabendo que elas estavam marcando um tempo. O coroamento dos espíritos transportados em seus sonhos.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

02.11.2017

 

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*Quem foi Constantino?

Flavius Valerius Aurelius Constantinus (272-337), conhecido como Constantino I ou Constantino o Grande, foi imperador do Império Romano do ano 306 a 337. Na História, passou como o primeiro imperador cristão.

Era filho de um oficial grego, Constâncio Cloro, que no ano 305 foi nomeado Augusto, em vez de Galério, e de uma mulher que tornou-se santa, Helena. Ao morrer Constâncio Cloro em 306, Constantino é aclamado imperador pelas tropas locais, em meio a uma difícil situação política, agravada pelas tensões com o antigo imperador Maximiano e seu filho Magêncio. Constantino derrotou primeiro Maximiano em 310 e logo depois Magêncio, na batalha de Ponte Mívio, em 28 de outubro de 312. Uma tradição afirma que Constantino antes dessa batalha teve uma visão. Olhando o sol, que era venerado pelos pagãos, viu uma cruz e ordenou a seus soldados que pusessem nos escudos o monograma de Cristo (as duas primeiras letras do nome grego sobrepostas). Embora continuasse praticando ritos pagãos, desde essa vitória mostrou-se favorável aos cristãos. Sendo Licínio o Imperador no oriente, promulgou o chamado “edito de Milão” (ver pergunta seguinte) favorecendo a liberdade de culto. Mais tarde os dois imperadores se enfrentaram e no ano 324 Constantino derrotou Licínio e se converteu no único Augusto do império.

Constantino levou a cabo numerosas reformas de tipo administrativo, militar e econômico, porém destacou-se mais nas disposições político-religiosas, sobretudo nas que encaminhariam a cristianização do império. Promoveu estruturas adequadas para conservar a unidade da Igreja, preservar a unidade do estado e legitimar sua configuração monárquica, sem excluir outras motivações religiosas de tipo pessoal. Ao lado dessas disposições administrativas eclesiásticas, tomou medidas contra heresias e cismas. Para defender a unidade da Igreja, lutou contra o cisma causado pelos donatistas no norte da África e convocou o Concílio de Nicéia (ver pergunta: O que aconteceu no Concílio de Nicéia?) para resolver a controvérsia trinitária originada por Ário. Em 330 mudou a capital do império de Roma para Bizâncio, que chamou Constantinopla, o que supôs uma ruptura com a tradição, apesar de querer enfatizar o aspecto de capital cristã. Como então ocorria com frequência, somente foi batizado pouco antes de morrer. Quem o batizou foi Eusébio de Nicomédia, bispo de tendência ariana.

Entre as falhas de seu mandato — comuns no tempo em que viveu — não se podem negar, por exemplo, as referentes ao seu caráter caprichoso e violento; nem se pode negar também que tenha dado liberdade à Igreja e favorecido a sua unidade. Mas não é historicamente certo que, para consegui-lo, Constantino determinasse entre outras coisas o número de livros que devia ter a Bíblia. Nesse extenso processo que terminou muito mais tarde, os quatro evangelhos eram desde há muito tempo os únicos que a Igreja reconhecia como verdadeiros. Os outros “evangelhos” não foram suprimidos por Constantino, pois já tinham sido proscritos como heréticos dezenas de anos antes.

BIBLIOGRAFIA:

DE LA TOREE FERNÁNDEZ, J. e GARCÍA Y GARCÍA, A. “Constantino I, el Grande” in Gran Enciclopedia Rialp vol. VI ( 2ª ed.), Rialp, Madrid, pp. 309-312.

FORLIN PATRUCO, M. “Constantino I” in Diccionario Patrístico y de la Antiguedad Cristiana (ed. Por A. di Berardino), Sígueme, Salamanca 1991, pp. 475-477.

ADOLFI, A. Costantino tra paganesimo e cristianesimo, Laterza, Bari, 1976.

 

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