ESPÍRITO SOLITÁRIO

Salve Deus!

 

De repente era como se fossem bolhas de sabão estourando do outro lado da vida.

 

Os espíritos solitários são como lobos dispersos em seus destinos. Eles não respondem por suas responsabilidades e acumulam o desespero da sequidão de um grande deserto espiritual.

 

Eu estava já do outro lado da vida e comecei a reparar num campo fora da psique humana. Este campo era vasto e pelo que percebi os espíritos transportados da terra em seus sonos profundos surgiam como se fossem bolhas de sabão, ao entrarem na dimensão eles estouravam fazendo até um barulho esquisito. Chegavam tontos, sonolentos, e ali ficavam sem noção da sua realidade. Estavam como se fossem embriagados pelo impacto da vida fora da matéria.

 

Olhando pelo infinito eram muitos, mas engraçado que eles não saiam dali, não tinham noção de estarem aqui. Eles não tinham metas do destino traçado, alguma missão a ser completada. Estavam simplesmente por estar.

 

Quando temos uma meta estabelecida nós nos dirigimos aos canais competentes ao trabalho a ser realizado, seja na terra pelo lado invisível, ou seja no mundo espiritual pela nossa ação direta e sem medo da verdade. Estar do outro lado da vida física seria o morrer na terra, mas o que nos une ao espelho é a nossa imagem refletida em dois pontos. Nós somos matriz de uma geração de novos desafios que estabelecem a cultura do terceiro milênio, a nova era.

 

Foi então que vendo este quadro espiritual eu andei por meio deles que pareciam ter uma película branca cegando seus olhos. Era como se fosse uma pequena cortina que não os deixava ver onde estavam. Alguns balbuciavam sons querendo falar, mas estavam engasgados, pareciam mudos querendo falar. Tentei ainda falar com eles que viravam suas cabeças tentando ouvir o som emitido, mas não sabiam do que se tratava. Cegos, surdos e mudos. A incompreensão dos fatores que determinam o grau de percepção também os deixava sob um mundo preso as suas culturas.

 

Que mundo é este!

 

O sol não transpunha a cortina e aquilo ficava somente num nuance sem fim. Hora outras bolhas estouravam e sumiam, voltavam para terra. Outras surgiam e assim o ritmo se acelerava ao compasso do deslocamento dos espíritos. Os solitários espíritos sem afinidade e sem noção da sua realidade. Eram como lobos isolados que somente trocavam de pele e continuava no mesmo trajeto do viver sem responsabilidade.

 

Parei no meio deles e fiquei ali somente admirando este quadro e pela aspereza do destino de cada um. Era como se fosse um campo de batalha, um vale, cheio de controvérsias e murmúrios lançados ao firmamento. Alguns faziam forças para conseguir emitir algum som e outros já acostumados com a ausência de suas juras transcendentais somente flutuavam.

 

Certas coisas que acontecem são esquisitas, principalmente sob o manto da prudência. É como uma eterna escola planetária por onde deixamos rastros de nossa passagem. Ser missionário tem certas vantagens de não passar por este campo dos mártires, sim, é de enlouquecer a falta da visão, da audição e da fala, porque parece que se perde a consciência.

 

Vamos nos separando pouco a pouco pela nossa missão e isso nos torna espíritos comprometidos com a transição etérea. Nossos plexos iniciáticos nos favorecem a conclusão do terceiro sétimo que ao abrir o livro dos grandes iniciados vamos transformando nossos ais em melodia universal. Já não temos mais espaço para nossos problemas, sim, nós mesmos superamos esta fase difícil da reconciliação natural dos fenômenos materiais. Vejam o antes e o depois, analisem tudo, saibam que nunca serão os mesmos de ontem. Tudo porque já tem conhecimento da vida em dois planos.

 

É esta verdade que o Evangelho Vivo e Resplandecente transformou as vidas dentro de uma cápsula apertada que somente o seu dono pode entrar. Quem realmente nós somos. Se olharmos em direção ao destino karmico nós veremos que muita coisa evoluiu, não que o material tenha deixado de ser material, mas nossos olhos já vêem outra forma de apresentação. Aquela pedra que sempre estava no nosso caminho agora foi lapidada e se transformou em um lindo objeto de evolução. Vejam que tudo pode se transformar pelas nossas mãos, pela habilidade do homem consciente.

 

E isso ainda mais quando todos têm consciência de uma linda missão.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

09.10.2017

 

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