PONTO RISCADO

Salve Deus!

 

Riscar o ponto ou ponto riscado.

 

Recebi o recado, pois a vibração de ódio é uma arma dos que não sabem amar, tentando matar seus perseguidos.

 

Eu fui espiritualmente ver o que estava acontecendo em um lar. Chegando lá fiquei em duvida sobre ajudar ou não, desmanchar o ponto riscado ou não. Sabe, muitas vezes os incautos médiuns trocam as mãos pelos pés e ao invés de terem paz em seus lares sagrados invocam juras que irão marcar a entrada da infelicidade. Na entrada deste lar o ponto foi riscado com uma seta apontando para dentro. Então o exu caveira, dono do ponto, marcou como sendo de fácil acesso, pois existia farta comida. Esta marca foi feita para mostrar que ele era o primeiro a estar ali, mas quando outros vão chegando e cravando suas marcas, outras setas e ao completar sete, pronto a falange toda está ali.

 

Eu não apaguei o ponto, poderia sim, mas pela vibração de ódio e de magoa que me foi direcionada eu deixei como estava. Que haja consciência da missão, porque ser espiritualista ou se dizer ser, existem diferenças enormes. Não é somente colocar uma roupa e bater no peito, mas é respeitar as considerações da máxima perfeita, a Seta Imaculada que foi confiada a cada um de nós.

 

O primeiro ponto foi riscado e logo haverá outro risco. Existe a diferença de riscar o ponto e ponto riscado. Riscar o ponto é quando médiuns da terra que conhecem a magia negra riscam o ponto em suas casas, ou em outros lugares. Eles são testemunhas dos exus que ao chegarem em frente a algum lar eles riscam no chão demarcando o território a ser invadido. Quando o ponto é riscado é mais perigoso, pois o exu teve livre acesso e achou uma brecha na proteção.

 

Nossos lares são sagrados e devem ser protegidos, não devem servir como demanda invocando forças sem conhecer a essência da abertura dos portais. Pai João de Enoque sempre pede para seus filhos não abrirem incorporações em seus lares, nunca, porque existem envolvimentos que desconhecem. Quando se é do amanhecer a luz que desce deixa um rastro luminoso e isso é um chamariz para os vales negros. Quando se invoca uma força das trevas este lar se escurece e passa a ser uma caverna, abrigando espíritos baderneiros.

 

Eu fiquei por ali, não entrei, fiquei na frente da casa observando se o dono do ponto chegava. Mas não, ele me viu e se escureceu mais ainda, penetrou na sua dimensão sofrida e ficou esperando eu ir embora. Eu só via aquela fumaça mais peta que a escuridão da noite, um vulto observando minha presença.

 

Bom, acho que esta noite ele não irá voltar, mas e em outras noites como ficarão. Falta de amor e respeito pelo próprio lar trará muitas dores e o espírito ficará no dilema de estar fazendo certo ou errado. Vai vir um por um atrás para infernizar e tirar proveito da situação. Quando Seta Branca me ensinou a indução pela força na palhinha, cruzando ela em X na sua porta de entrada é para proteger justamente da invasão dos espíritos sem luz. Nós cruzamos nossas lanças em nossa porta de entrada e isso não deixa os maus pensamentos entrarem.

 

Eu respeito os ensinamentos do amanhecer, o que Tia Neiva, a clarividente deixou dito. Se não é para nós invocarmos espíritos abrindo os portais em casa, é porque tem motivos de sobra para isso. Geralmente as pessoas envolvidas caem em desgraça, vão se tornando alimento dos seus próprios elitrios. E o elitrio não quer prosperidade, ele quer destruir tudo que conquistaste em sua vida. E os primeiros passos é não conhecer a lei de causa e efeito. É se tornar arredio e desrespeitar Olorum.

 

Tia Neiva, quando em vida, ela ordenava alguns trabalhos nos lares, mas sob sua supervisão. Deixava um jaguar no radar de comando segurando as forças e os missionários iam para uma missão árdua e complicada. Ela como clarividente ia espiritualmente para ajudar, mesmo não indo fisicamente, mas seu espírito dava toda proteção. Depois que ela partiu a ordem é: não invocar mais, mas abrir no templo, na mesa evangélica a puxada. Tudo registrado nos papéis que se colocam na mesa.

 

Se dizer espírita ou desconhecer as leis é o mesmo que desconhecer a si mesmo. Eu não estou proibindo ninguém, estou alertando, somente porque eu respeito o lar, respeito às famílias, e não gostaria de que acontecesse o pior, a degradação dos laços de afinidade.

 

A obsessão de um espírito encarnado sobre outro não é ficção. Ele torna a vida do seu semelhante um inferno que vai tomando conta da visão e do pensamento. A pessoa começa a variar em suas palavras dizendo coisas que vão se complicando. Daqui a pouco se perde os laços da verdade e tudo vira um poço de lama. Para ver o equilíbrio de um médium é só deixar ele falar.

 

Sai da frente do lar e vim embora. Cheguei aqui arrepiado, meu corpo sentiu aquela energia impregnada na frente. A ausência do sol abre as brechas e coloca um drama da vida e da morte, sim, pois eles se saciam somente quando consegue levar da terra o seu prometido.

 

Pior será se outros exus riscarem suas setas no mesmo ponto. Peço perdão, mas ouçam seus corações.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

02.10.2017

 

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