TOLERÂNCIA – parte dois

Salve Deus!

 

Aceitar ou não aceitar!

 

Como prometido tudo está voltando a retornando ao normal. Eu fiquei admirado quando ele abriu minhas portas e o que havia me tirado estava lá, só que acrescentado, ele estava colocando a sua riqueza junto também.

 

Eu olhei para tudo aquilo e as duvidas vieram, porque nós já perdemos muito nestas encarnações por abuso do poder, da autoridade e da riqueza. Fomos ricos e não soubemos administrar recolhendo cada vez mais e não doando aos necessitados. Nisso uma mulher parou na soleira da porta do meu quarto, era à força de Koatay 108, mesmo ela reencarnada na terra seu espírito já está se transportando para coordenar a sua missão. Ela ficou ali registrando esta passagem com seus olhos da verdade. Eu fiquei sem saber naquele instante, mas com um gesto meigo e um sorriso carinhoso ela balançou sua cabeça positivamente.

 

_ Como prometido estou lhe devolvendo tudo e mais um pouco! Eu recebi um presente muito maior que toda esta riqueza que guardei por séculos e nem me lembrava mais, eu estava cego e mudo pelo meu ódio! Hoje todo este brilho não chega aos pés da luz que brilha em meu favor, Deus, sim, que alegria, que felicidade, eu não tinha nem ideia do que era receber esta gratidão do céu! Eu vim lhe entregar para poder seguir meu destino! Meus amores já tiveram noticias minhas por este índio que me ensinou o amor! Eles estão me esperando e as suas dores já estão amenizando! Adeus meu irmão, como você sempre me tratou em suas preces, porque agora começa uma nova vida para mim! Adeus!

 

_ Salve Deus!

 

Eu fiquei tão feliz que perdi até a voz. Queria lhe falar mais coisas e não consegui. Fiquei calado, mas acho que 60 anos de vida dele comigo foi suficiente para reparar todos os erros do passado. Eu busquei saber onde estavam os pertences, mas com receio de que tudo possa ser novamente uma ilusão do nosso coração. Tudo que passamos nesta encruzilhada do destino nos faz mais fortes, mas corajosos e mais preparados para estas situações.

 

Fui até onde ele me indicou e lá estava tudo guardado. Grande e vultuosa riqueza, a minha e a dele, que juntas somadas dobraram seu valor histórico. Histórico, sim, um valor espiritual e não material, algo que nenhum ser da terra pode pegar ou tirar. Estava num lugar secreto que só ele sabia, como se fosse em um buraco enterrado. Ao chegar lá me vi diante de uma interrogação, o medo, o ressurgimento das controvérsias do destino karmico. Minha vida foi sempre por uma luta honesta e difícil, sempre tive que dar duro para ter as minhas coisas. Construí esta casa de Seta Branca com muito sacrifício e com poucos irmãos que reconheceram a verdade nos meus esforços. Eu só tenho a agradecer a bondade deles por acreditarem em minhas palavras.

 

Foi assim lá neste reinado que muitos desta missão estiveram comigo. Eles tinham tudo que eu podia lhes dar e aqui eles têm tudo que eu posso lhes ensinar. Trocamos de missão, de caminho e de experiência. A maior riqueza que hoje eu tenho é este sacerdócio, é a espiritualização do eu interior. Não me sinto superior a ninguém, aliás, sou somente um pequeno doutrinador, um pequeno jaguar, que respeita e ama cada pessoa que cruza comigo a mesma espada.

 

Ser pequeno, meus irmãos, cabe em qualquer lugar. Como disse Seta Branca: “…quero ser como um grão de areia para poder caber em vossos corações”. Agora quando você se sente grande nunca poderá caber no coração dos seus irmãos. É isso que devemos aprender, a não justificar nossas falhas pelas falhas dos outros.

 

Ao me despedir do meu irmão eu senti uma transformação no meu físico, já não doía tanto. Mas somente o tempo dirá a verdade sobre mim e meus amigos que se empenham para receber a luz. Quisera que todos que se ligaram ao meu físico recebessem esta bênção, porque o céu é a esperança de uma nova era. Os meus ais, as minhas visões, os meus contatos, há isso ninguém me tira ou toma. Posso até perder esta visão se algum dia testemunhar em falso, mas não pelo sacrifício da terra. A terra sempre será a terra e nós seremos sempre os escolhidos para compreender a evolução.

 

Koatay 108 ficou comigo e eu com ela. Ela sempre será minha sacerdotisa, sempre, pois tudo que aprendi foi ela quem me ensinou. Ela sempre dizia para mim: “Meu filho faça tudo como sempre lhe ensinei”. (1980/1984).

 

Agora em um novo recomeço, ela está de volta com sua coragem de enfrentar os novos desafios pela frente. Sei que vai ser difícil reconquistar os jaguares, mas a luta é e sempre será pela evolução desta terra. Muitos já têm recebido a sua presença em espírito nos seus sonhos. Já existe um chamado pelo sol interior que está abrindo uma nova roupagem, um novo amanhecer. Vejam que o nome de Koatay 108 está sendo respeitado pelos mentores que não pronunciam diretamente na terra, pois ainda pequenina está formando seu sacerdócio. Este é o segredo os grandes iniciados que é também o meu segredo e daqueles que já receberam a presença dela. Um dia a cortina será tirada e verão com seus olhos a mãe em forma de menina.

 

Enquanto isso nós vamos trabalhar com mais amor e força, porque teremos que ter muita coragem pelos dias que se seguem.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

29.09.2017

 

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