CARIDADE SEM FRONTEIRAS

 

Salve Deus!

 

Eu não tenho medo do trabalho, o que me dá medo é não poder mais trabalhar.

 

Eu continuo construindo na terra e no céu. Sabe, o que mais alegra os nossos espíritos é ter o que fazer, é não se sentir oprimido pela terra, é se sentir liberto para poder trilhar o caminho da verdade. Nestas duas passagens eu vi e que nós nos realizamos quando temos compreensão, amor, coragem de fazer e não se deixar atrasar na participação dos fenômenos que nos ligam do físico ao espírito.

 

No templo espiritual, eu estava pintando, deixando tudo maravilhoso para meus irmãos que virão depois de mim. Lá onde os olhos físicos não alcançam, somente espiritualmente podemos ver a transformação que acontece quando nos empenhamos a fazer. Tinha alguns espíritos que não agiam, só ficavam ali travados olhando, sem coragem de mover uma palha sequer.

 

Foi quando chegou uma linda jovem, Clara, com um semblante suave. Ela veio me procurar porque precisava de minha ajuda, ou eu dela, mas olhando para seus olhos havia algo diferente. Parecia uma nuvem que tapava sua visão. Foi então que seus dedos se tornaram seus olhos. Tudo ela via pelo tato das pontas dos dedos.

 

_ Meu irmão! Eu sou Clara e tenho aqui perto uma casa de orientação aos espíritos! Gostaria muito de sua presença para nos ajudar!

_ Salve Deus!

_ Pode me acompanhar!

_ Deixe só eu terminar aqui para que meus irmãos se sintam bem!

 

Assim eu continuei pintando para não deixar nada em branco. Mas aquela moça me deixou pensativo, sim, meus irmãos, mesmo ela tendo este problema não se deixa acanhar pela sua dificuldade. Mas não era uma sofredora, ela tinha certo grau de orientação espiritual. Terminei o que estava fazendo e fui até ela que pacientemente me aguardava.

 

Fomos em direção da sua casa transitória. Chegando lá me deparei com um complexo enorme e muitos espíritos tendo orientação, digo, estudando. Ela me foi mostrando tudo e por onde eu passava, eles me acompanhavam com seus olhos. Era como se fosse uma escola da terra, com orientadores treinados para saber agir.

 

Dentro era assim, mas lá fora do complexo havia um local para encontro dos espíritos, tipo lanchonete, onde eles se refaziam espiritualmente recebendo energias. Entramos e como sempre a curiosidade. Fui apresentado como sendo mestre da terra, filho de Pai Seta Branca, deste amanhecer. Fiquei feliz porque até lá o nome de nosso Pai é reconhecido e bem divulgado.

 

Clara andava com um pouco de dificuldade pela sua falta de visão. Aliás, como ela mesma disse, ela tem parcialmente visão, não é cega completamente. Existe uma barreira que tapa seus olhos, coisa ou compromisso de sua evolução. Ela tem que passar por isso para poder receber as pérolas do seu grande amor.

 

Recebi este convite que me deu muita honra. Eu trabalho por amor e não por necessidade. Não vou ao templo ficar pedindo, vou ao templo ajudar, fazer parte deste acervo da continuidade desbravadora. Não me dou ao luxo de receber os proventos do céu, e na terra vivo pela simplicidade conquistando, pelos percalços que jurei, as realizações de ver uma pessoa feliz. O melhor pagamento é quando vemos aquele ser doente receber a cura.

 

Clara continuava ao meu lado me mostrando a sua obra. Eu sabia que era bom, era um lugar tranquilo, tinha névoas espalhadas pelo chão, pareciam nuvens, mas tudo era energia. Aquele local estava protegido por uma força magnética que só podia entrar quem fosse convidado. Este campo de força era obtido pelos grandes iniciados que também protegiam a jovem. Havia instrumentação espiritual que transformava aquela energia em um poderoso defletor das ondas magnéticas. Não tem como achar o lugar exato pois tudo é desviado para não serem incomodados.

 

Olhando pelo céu espiritual este local parecia flutuar em meio ao nada. Era como se fosse uma ilha encantada que pairava sustentada pelas mãos de Deus. Muito lindo, muito importante.

 

Terminamos. Minha visita havia terminado e eu tinha que voltar pra terra. Ao passar das horas físicas nossos espíritos vão sentindo a ausência da terra e por isso devem retornar para recompor sua ligação. Clara veio se despedir e com um leve toque de sua boca em minha face direita eu desci. Parecia com um beijo de mãe, sabe quando alguém precisa de compreensão, de carinho, assim foi este contato, suavemente em meu rosto. Não tenho como descrever esta jovem, porque ela era tão suave como um manto infinito. Ela era uma missionária neste mundo de Deus Pai Todo Poderoso.

 

_ Coragem meu irmão! Você tem muito para edificar sua obra na terra! Deus lhe deu esta oportunidade porque confia em tuas mãos! Teus irmãos irão te ajudar a edificar o seu sonho! Nós aqui vamos pedir muito pela sua conquista e vamos emitir os bons pensamentos, sintonia, para que nada vos falte nesta transição da nova era da terra! Aqui já vivemos a nova era cristica e a terra está passando agora pelo estágio! Vá com Deus meu irmãozinho querido do nosso coração! Salve Deus!

_ Salve Deus!

 

Abri os olhos e olhando para o teto ainda vi aquele encanto desaparecendo suavemente. As nossas ligações que se realçam pela natureza da mediunidade. Ter visão espiritual não é olhar pelos olhos da terra, mas sim, abrir sua janela temporal e ver com clareza as dimensões que se unificam pelas vibrações. Uma pessoa vidente enxerga pela mediunidade da terra abrindo o véu que fecha sua clareza. Para poder ver o outro lado tem que estar mediunizado. Eu sem estar mediunizado sou somente um ser da terra.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

27.09.2017

 

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