UM VELHO PESCADOR

Salve Deus!

 

Um homem simples, sempre vivendo no mar, nos rios e sendo guiado pelas estrelas.

 

Eu fui visitar um tio de minha esposa. O tio João que mora lá em Luiz Correia, Piauí. Lá, antigamente, era um braço de mar onde a terra foi se apoderando e formando uma vila de pescadores. Hoje já é uma cidade turística e boa para se morar. Mas antes de chegar lá eu passei por outra cidade que é o Vale do Amanhecer em Brasília.

 

Chegando neste lado invisível os espíritos não dormem, eles continuam suas obras após o descanso físico. Mas nesta viagem eu deparei com um problema com eles. Havia um desafeto sendo cobrada entre eles, uma desavença hierárquica, pois a vida na terra não é igual a do céu. Na terra tudo se passa a mão, mas no espiritual não, existe ordem e respeito. Os espíritos estavam aprontando e foram chamados na rédea curta, para que tomassem tento com as leis do amanhecer. Foram muitas discussões e ameaças de serem contidos e exemplarmente colocados em segunda escala.

 

Eu fiquei ao lado do radar observando as atitudes de todos os jaguares. Olhava para eles que não aceitavam as ordens superiores e assim criaram um desestímulo ao comando trazendo repercussão negativa. Esta situação embaraçosa complica todos que desrespeitam as hierarquias querendo com isso desestabilizar uma missão.

 

Bom, fui para o Piauí. Estive um bom tempo conversando com este tio pescador. Lembrava das histórias que ele contava do bicho, um lobisomem que apareceu na casa do avô Benedito. Riamos então da situação embaraçosa em que o medo atravessa e da um nó na garganta. O que mais me chamou a atenção foi à invasão das águas novamente. O mar havia subido de repente e com força chegou ao destino mais distante tomando área imensa. Casas foram destruídas e aquilo tudo voltou para o mar.

 

Eu estava com ele nesta hora e ele contava com sua experiência de navegador e conhecimento pela sua intuição o que estava acontecendo. Teve até uma hora que eu tomei um banho pela força que a água salgada se projetou para a terra. Canais iam se formando e como um redemoinho ia retirando a terra como areia branca sedimentando o solo. O mar estava tomando o que lhe pertencia.

 

Tio João, ainda em sua idade avançada conta as suas histórias de pescador. Poderiam ser até enredos criados pela vivencia entre os barcos e os amores de sua vida. Mas em verdade é tudo real, pois tudo que se vive em terra é registrado no céu. Uma mentira não cria laços, mas a verdade perdura pela eternidade.

 

Foi muito bom rever meu amigo o qual respeito muito, pois somente quem vive a sua história tem um final feliz. Ser feliz é estar de bem com sua vida, estar vivendo o seu quadro espiritual, deixando que tudo se acerte pela capacidade do ser humano em conquistar seus objetivos honestamente. Um pescador não tem muita coisa material, tem o necessário para sua vida, tem o que Deus lhe dá, o mar, a terra e o céu.

 

Assim me despedi do Tio João e voltei para casa. Como estava frio antes de chegar. Olhando de cima via-se a terra coberta por uma camada esbranquiçada, um nevoeiro gelado. Ao chegar no físico eu estava gelado, pois nada aquece temperaturas abaixo de zero. Até o físico começar reagir para se aquecer de novo muitas horas se passa.

 

Bom, estou aqui de novo contando as minhas aventuras nestes caminhos que a vida me leva. Como todos que eu encontro meios perdidos em suas aventuras que ao voltarem não se lembram de nada, mas uma coisa, está tudo registrado.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

18.07.2017

 

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