MORTINHO – parte dois

Salve Deus!

 

O templo vai desmistificando as dores e solucionando os efeitos da causa delas.

 

Ontem, chegando às 18 horas, o céu brilhava num frio que se aproximava. Foi preciso encerrar os atendimentos para todos se recolherem e preservar a saúde física. Os espíritos foram recebidos pela força do amor do corpo mediúnico e elevados na sua necessidade. Muitos não subiram, pois a fila era enorme, principalmente na libertação do mortinho.

 

Quando uma pessoa desencarna, ele sofre a influência direta de suas heranças transcendentais, que vêm recebê-lo na sua chegada. E, esta noite, chegando no espaço entre as duas dimensões uma multidão de espíritos o aguardavam. Havia uma influencia direta entre os clamores e os rumores. Parecia uma convulsão igual na terra, nestas manifestações que o povo faz.

 

Eu fiquei olhando. O mortinho estava em uma rede magnética de proteção, pois havia o perigo dele ser aprisionado e perder o resto de sua evolução. Os capítulos a seguir foram anunciados pelas trombetas que indicavam a sua presença. Na terra ele se dizia um bom homem, mas no seu coração havia duvidas de sua natureza humana.

 

Aos gritos eles sacudiam seus pés no etéreo plano. Se fosse em terra levantaria muito pó, mas como é no espaço, somente o som do movimento das descargas elétricas. O Acumulo de espíritos em determinado local gera uma energia esparsa, diferente, é como se fosse uma energia neutra, não dá choque, mas provoca estalos quem por ela passa. Por isso muitos sentem arrepios, mal estar, um choque na diferença da atmosfera fluídica. O acumulo de energia faz esta transição entre o visível e o invisível.

 

Afastei-me um pouco mais. De onde eu estava dava para ver bem a convulsão dos espíritos. Parecia até um comício, um espetáculo horrendo de arrependimentos entre gritos e delírios. Uns gritavam: Até que enfim você veio. Outros nem sei mais, pois a baderna estava formada. A única coisa que o separava de todos era a rede magnética do Cavaleiro que o envolvia. Ele podia ver e ouvir a manifestação, mas não podia ser tocado.

 

Vejam, meus irmãos, como se complica um encarnado que mete a mão no pote do seu próximo. Cada um de nós, seres humanos esclarecidos ou não, deve respeitar seu próximo, nunca quebrar de forma voluntária o ciclo karmico, nunca tentar mudar o destino. Podemos sim, ensinar, orientar e esclarecer, mas nunca tomar as dores de ninguém. Ser antes de tudo um psicanalista e saber onde enfia seus pés.

 

Se vocês pudessem reaver o que acontece longe das amarras da terra dariam valor ao seu sacerdócio. Lá não existe esperteza, existe consciência. Lá a voz da razão te chama pela verdade e não esconde os segredos da sua conduta.

 

Eu saí de lá, voltei pra terra. As coisas estavam complicadas para este mortinho. Mas pelo que eu soube, ele teria que passar por esta avaliação, por esta libertação. É como se fosse a desimpregnação dos restos do magnético animal ectoplasmático do seu perispirito. Se ele não perder sua linha de orientação doutrinária, ele vai sair desta. Caso ele saia de sua conduta espiritual vai ser levado por eles para não sei onde.

 

A verdade sempre prevalece.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

11.06.2017

 

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