PROVA DE FOGO

Salve Deus!

 

Os espíritos não querem saber quem é quem, eles querem receber e pronto.

 

A maior prova de fogo que fui submetido nesta viagem. Um espírito veio me pedir ajuda, uma mulher daqui desta cidade mesmo, ela estava se candidatando a um cargo no pleito e como seus adversários eram mais conhecidos e com mais habilidade não teria nenhuma chance. Espiritualmente ela veio humildemente, mas seu físico na terra é muito orgulhoso, nos trata bem, pois tem respeito pela nossa missão.

 

Ao subirmos para onde seria a reunião, muita gente presente num auditório, todos discutindo suas opiniões sobre o que fazer, como fazer e quais seriam as metas. Quando chegou a vez dela as pessoas foram se retirando ficando somente os oponentes. Ali seria a sua sabatina, mas eu não deixaria ela ser esmagada, porque sendo mulher, ela me pediu ajuda.

 

Havia então um homem negro sentado na quinta fileira de cadeiras e ele era o mandatário de tudo que se passava neste quadro espiritual. Como havia poucos e ela estava meio perdida nas respostas eu tomei a palavra, pelo menos para que ela não fosse desmoralizada. Cheguei a este homem negro, qual ficou titubeado em falar comigo, pois não me conhecia, sabia de minha existência, mas não assim tão de perto. Comecei a lhe falar da sua vida em particular e ele me olhava com receio. Quando toquei na sua maior ferida ele desconcertou-se e ali foi à chave para de mudar a tática dos falcões.

 

Ele foi saindo devagar, mas deixei a lacuna aberta, pois o nosso templo é a resposta para o que ele queria e pedia. Ao sair ele ainda voltou e me fitou, pensando ser uma mera coincidência, mas não, eu estava ali para reparar um momento critico entre mundo espiritual e a terra.

 

_ Salve Deus! Eu te espero no templo do amanhecer!

 

Tão logo ele se virou rapidamente se retirou. Voltei então para esta mulher que estava desconcertada e ainda perdida na sua jornada. Agora ela sentiu realmente o que seria entrar por um caminho sem retorno. A astúcia de certos espíritos se contradiz na balança do destino. Como esta cidade vive na clausura de seus karmas mais violentos da cobrança, eu respeito seus corações, mas eles também devem respeitar o que não conhecem.

 

Os doutores e seus diplomas que embelezam as paredes dos seus destinos. O maior conflito de verdade é a realidade dura e crua. Se todos pudessem conhecer e se conhecer, a maior chave de abertura entre os mundos começam a se chocar. Estamos percebendo a manifestação mediúnica das pessoas se entregando ao consumo da sua vida sem perceber que este pavio é curto demais para se sentirem prepotentes e julgar aos demais com suas ironias.

 

Assim é a nossa missão. Somos julgados como esquisitos, mas em verdade em prefiro ser um esquisito tendo conhecimento que ser um pagão sofredor sem saber meu porto de desembarque. A multiplicidade do ser na sua esfera orbital. De um paralelo para outro sem noção de sua obra. Perdem-se na escolha e se deixam contaminar pelas necessidades. A quem pertencem nesta condição involutiva.

 

Eu ainda tenho muito que aprender. Se eu disser que sei tudo, estarei enganando a mim mesmo. Então os mentores vêm assumindo este papel de me esclarecer e orientar a minha escolha. Eu escolhi o meu caminho que é a minha verdade, assim como todos meus irmãos que são donos da sua. Cada qual é responsável pela sua caminhada.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

17.04.2017

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