FARTURA

Salve Deus!

 

Estive, esta noite, embarcado.

 

As histórias que pescador conta nas vidas vividas e nas embarcações que adentram o mar para buscar o essencial para a vida humana. Eu estava num barco pesqueiro e vi a fartura de peixes que estava sendo capturado pelas redes. Eram muitos, mas o que mais me chamou atenção que eles eram diferentes do habitual peixe. Estavam mudados. Pareciam com lagostas, mas eram moles a ponto de não se debater quando caiam no convés.

 

Eu fiquei bem perto e até segurei alguns para tentar desvendar este enigma, mas já chegavam mortos. Não tinha como querer descobrir o efeito desta mortalidade, pois eram transmutados em algo esquisito. O barco seguia com sua enorme rede vasculhando o oceano e ao recolher mais destes peixes, eles eram trazidos para dentro.

 

Difícil a vida do pescador que enfrenta tempestades, sol escaldante e noites frias úmidas sob o luar. Uma vida que se acaba aos poucos, pois todos sabem que se torna curta pela dureza da profissão.

 

Subi e de cima olhava para este barco que seguia sem parar. Seus tripulantes corriam contra o tempo para tratar os peixes capturados levando-os para o frigorífico. Eram gritos de comando, eram vozes de esperança, eram eles ali no meio de um mundo distante. Olhando o grande oceano via-se somente aquela embarcação e mais nada.

 

Os marinheiros em suas missões, cantando, gemem, choram e riem. O mar os recebe de braços abertos, nossa Mãe Iemanjá, nossas queridas serias encantadas, o povo das águas. De repente o silencio, o vento não sopra mais, o barco se aquieta e todos se recolhem para o descanso que parece ser uma eternidade, mas não, por um momento até que tudo recomece. Sem um silvo qualquer, sem um conto sequer, tudo na mais perfeita paz do mar.

 

Voltei. Cheguei em casa pelas 5 horas da manhã, fiquei ainda tentando discernir onde eu estava, pois ainda estava ligado no meu espírito até que ele tomasse conta do físico. As dificuldades nos levam a caminhos desiguais, cada qual com sua dor, com sua alegria, com sua conduta. Os seres humanos deitam e esquecem que ao sair pela porta do destino espiritual tem mais coisas para serem conquistadas.

 

Cada um tem seu merecimento e destino traçado conforme sua missão vai se delineando neste cenário da vida e da morte. A chama da vida que fica acesa em nosso sistema solar nos conforta e nos dá impulso para seguir sempre adiante. Mesmo morrendo ainda acreditamos na vida. Não a morte física, mas o desligamento do eu interior do eu exterior.

 

Cada qual tem o seu pensamento, a sua orquestra e a sua continuidade.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

08.04.2017

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