MERECIMENTO

Salve Deus!

 

Ter merecimento às vezes se confunde com missão. O merecimento é algo escrito nas entrelinhas de um sistema diferenciado que se traduz na liberdade de poder fazer algo que outros não fazem, como caso se desligar de um mundo e entrar em outro sem ter problemas de ajustes.

 

Todos os missionários lutam para merecer em seus caminhos uma vida prospera e cheia de regalias, mas para o trabalhador da ultima hora ele se prende aos compromissos entre os vários planos a serem desvendados. Sem merecimento não se chega a lugar algum. Para isso todos trabalham aprimorando seus plexos para poderem atravessar a dura barreira de espinhos, a coroa de Cristo, e se amarem uns aos outros.

 

Eu lutei muito para merecer de novo o que eu perdi lá atrás por não respeitar as ordens superiores. Mestre Humahã me ensinou novamente a magia e agora sigo corretamente os mandamentos de um mundo dinâmico e maravilhoso. Tenho muito a que descobrir, mas aos poucos vou me desligando e se ligando ao tempo que se esvai do cardápio social.

 

Eu fui visitar outro mundo e de novo mais aprendizado. Não existe missão sem trabalho. Não existe regalia sem conquista e não existe fé sem oração. Ao chegar neste mundo muito distante de nosso pensamento, eu conheci outra vida, uma vida com muita dificuldade, onde os seres que viviam neste lugar não tinham o liquido mais precioso que era água. Eram seres diferentes, não eram formas humanas, mas como nós não olhamos cara e sim a necessidade, nos empenhamos em ajudar a resolver o problema. Saí dali e comecei a procurar aonde tinha água. Encontrei muito além, era longe, e como eu faria para levar para lá. Comecei a planejar, elaborar e assim consegui resolver a questão. Havia diferença entre planos, um mais alto e outro mais baixo. O plano destes seres era mais baixo e onde havia água era mais alto. Elaborei um sistema que pudesse se interligar aos planos sem problema de afetar o sistema. Foi então que recorrendo ao próprio mundo destes pequenos seres conseguimos construir como se fosse dutos por onde seria levado até mais acima. Chamei outros executores e lá fomos nós percorrendo e carregando este duto. Foi um trabalho árduo com muita dificuldade, pois teríamos que contornar as elevações ou depressões do local para que estivesse sem no nível certo. Um planejamento muito correto. Ao chegarmos na fonte, era como se fosse uma caixa em que a água vertia dentro, eu comecei a ver como faria para interligar. Chegou outro homem que me entregou um aparelho que seria para bombear, mas lhe disse que a água seria levada por gravidade sem necessidade de nenhum aparelho. Tinha um problema, a boca do poço estava mais alta e a mangueira não poderia envergar. Achei a solução e tão logo feita à ligação senti que a água correu por dentro do duto. Era uma questão de tempo para ela chegar aos seres que estavam em nível mais baixo. Eu tinha notado que a água estava pouca naquele poço, mas quando ela começou a entrar pelo duto ela começou a aumentar sua vazão.

 

Foram muitos gritos de alegria dos que junto estavam comigo na hora que tudo funcionou. Eu agradeço aos que me ajudaram nesta missão, agradeço aos que compreendem os sinais de evolução, porque sem trabalho nós paramos no tempo. Se aqui na terra temos pouco trabalho, no mundo espiritual temos muito.

 

Agradeço principalmente ao Mestre Humahã por ter confiado os ensinamentos em minha missão. Ele me levou a compreender os meus momentos mais preciosos entre as vidas que se seguem. Foi dura a lição, foi difícil estar em outro mundo, estar separado do restante dos irmãos, mas esta clausura foi necessária para avaliar o grau de responsabilidade missionária. Eu absorvi tudo que ele me ensinou e mesmo sendo descriminalizado por grande maioria que não entendem o princípio de um desenvolvimento espiritual, não físico, eu consegui merecer esta oportunidade de não manchar o sacerdócio que Neiva construiu.

 

Vejam bem meus irmãos, temos um principio em nossas vidas, ele se chama amor incondicional. Amar sem fronteiras, sem descriminalizar seu próximo, sem julgar o que desconhece. Muitos julgam pelos olhos físicos e esquecem de conhecer a verdadeira história que rege um coração. Coração dos outros é terra que ninguém anda, então, veja primeiro o seu coração.

 

Evolução sem conhecimento não é evolução. Eu chamo de regressão, porque quando se para de aprender, o tempo também para. Vivemos na mesma condição sofredora, porque nada de novo chega, ou quando vêm logo às portas se fecham com medo de assumir. A pior involução é a tirania missionária: Se eu não tenho, ele também não terra.

 

O merecimento não é para todos, mas se todos compreenderem uns aos outros tudo muda. Como diz o pequeno Page: Irmãos de toda terra, amai-vos uns aos outros.

 

Eu não voltei para ver se a água chegou, meu tempo de permanência havia terminado e talvez em outra oportunidade eu volte para ver tudo como ficou.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

03.04.2017

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