TRIBUTOS

Salve Deus!

 

O Brasil é um país que mais recebe tributos espirituais.

 

Estive em duas viagens que mostraram uma verdade esquecida ou escondida de muitos olhares, Bahia e São Paulo. Duas cidades diferentes e em posição de destaque no campo espiritual.

 

Ao chegar na Bahia, primeira porta de entrada dos colonizadores, o povo que habitava estas paragens, tribos indígenas, recebe até hoje os tributos europeus. A espiritualidade paga em bônus celestiais. Os negros que vieram após a chegada dos homens brancos trouxeram também a raiz africana e com eles os orixás que formaram o cinturão divino, uma nova tributação ordenada pela divindade.

 

Ao entrar em Salvador, casarios antigos espalhados pelas estreitas ruas, eu via nas janelas os vultos de seus habitantes. Não havia índios, havia camuflagem que se misturava ao descobrimento da nova terra. Andei e andei, tudo era a mesma coisa. Mas o que mais me chamou a atenção não foi à remota história da colonização, mas como até hoje se paga os tributos pela permanência de um povo dominante e outro dominado.

 

Os Orixás oriundos da tradição africana também pagam tributos aos donos desta terra em forma de evolução, libertação e composição. Os cânticos espalhados pela tradição dos habitantes, invocando o sacerdotal espírito da paz, ecoam pelas matas acordando os povos que veem receber seus dotes. Uma troca de gentileza, de pagamento, de perpetuação destas raízes.

 

Salvador tem uma rica história de amor pelos habitantes tradicionais desta região que se espalha pelos olhos, pela mente e pelo coração. É muita coisa para se escrever num só dia, pois as recordações vão se alinhando ao passo que vamos acordando.

 

Saí de Salvador e cheguei em São Paulo, uma capital que mais acolhe seus povos pelo trabalho incessante e pela dura vida de seus abnegados escravos serviçais. Falo assim, escravos serviçais, porque geralmente este povo não tem hora para descansar, vivem pela necessidade do pão nosso de cada dia. Mas não é do povo que vim falar, mas do que está abaixo da cidade, nas galerias antigas que percorre um longo trecho. Algo que vai ser descoberto mais dia ou menos dias, pois faz parte da história desta cidade.

 

Ao mergulhar nesta profunda galeria eu via a formação do trabalho dos Jesuítas que construíram sob a terra algo que vai mudar a forma de pensar. Estes homens tinham conhecimento e sem equipamentos para fazer o que fizeram. Somente usando a técnica que lhes atribuía como desbravadores do Brasil. Tudo no Brasil tem um toque dos Jesuítas que mesmo em conflito com os índios eles foram cativando e dominando. A catequização destes povos lhes trouxe inúmeras vantagens pela corrida do ouro e abertura de trilhas pelas matas catalogando os territórios.

 

Então, a Europa também paga em bônus a sua permanência nesta terra. Todos até hoje pagam seus dividendos, mas não falo em impostos que foram criados após o descobrimento do Brasil. Falo em impostos espirituais, a posse de uma terra livre que se transformou em cobiça humana. A tradição mudou os costumes e pagamos todos nós um alto preço.

 

Percorri aquela galeria até me onde foi possível. Havia dentro delas canaletas por onde a água escorria. Construções simples, mas totalmente necessárias. Eram engenharias que demonstravam um estudo do mapa territorial. Um mundo dentro de outro mundo.

 

Voltei. Trouxe este registro de uma história esquecida pelo tempo que se apaga nas parcas lembranças de um povo dominante. O homem, não importa que seja branco, negro, amarelo ou vermelho, ele domina sua raça exaltando sua liderança. Qualquer raça tem alguém comandando alguém e tudo vai de cada cabeça de cada um, de cada atitude. Se for para o caminho do bem, tudo bem, mas se for pelo caminho do mal, tudo é uma questão de caráter e de honestidade.

 

Para cada estágio de evolução existe a conscientização dos valores apregoados pela vida. Seja você mesmo a descobrir a sua origem, a sua cultura e a sua evolução.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

13.03.2017

Deixe uma resposta