A CRUZ

Salve Deus!

 

Cadê a minha cruz!

 

Devemos, então, aprender a carregar a nossa cruz de forma que ela não venha pesar, mas com o conhecimento ela se torne um livro de amor e compreensão. Eu não reclamo da minha cruz, pois sei que ela é muito pesada, mas é com ela que eu vou subindo os degraus da conscientização.

 

Estava no plano espiritual e muitos espíritos chegaram procurando a sua cruz:

_ Cadê a minha cruz?

_ Cadê a minha também!

 

Outros se enrolavam todos com suas necessidades de voltar atrás, porque simplesmente depositaram nas costas do seu próximo o peso de suas irresponsabilidades. Ninguém destes que me procuraram estava livre de sua desobediência karmica. Eu fiquei olhando para eles e olhava para mim, como querer exigir algo de Deus se nada faz para mudar seu estado primitivo.

 

O sacrifício não é em vão. A formação do homem luz deste universo encanta e desencanta, sim, pois a vida sem um parâmetro real é vazia, ela se divide em melancolia e desajustes. Foi então que compreendendo esta necessidade de voltar atrás e consumir as juras transcendentais que formamos o nosso cálice que pode ser amargo ou doce.

 

A nossa conduta nos eleva e nos rebaixa nos períodos mais complexos da existência humana, mas sem este alicerce nós continuamos sendo os mesmos de ontem. A súplica dos mal amados que perderam a oportunidade de seguir seus destinos. Em cada coração um semblante e em cada olho uma dúvida. Quem é quem nesta vida sem volta. Os espíritos então não tinham mais vida, estavam sofrendo a perda do seu compromisso que é justamente as suas origens mais remotas deste planeta.

 

Observando cada qual em sua escolha, muitos deles não respeitaram a dor do próximo, se apoderaram de seus pertences como se fosse sua propriedade. Agora vendo aqui longe das amarras da terra percebem o quanto lograram a si mesmos.

 

_ Eu quero voltar! Quero assumir meu compromisso novamente!

_ Eu também preciso voltar!

_ Meu Deus, me ajude a voltar!

 

Enquanto uns ainda se lembravam do nome de Deus eles suplicavam a reencarnação. A vida neste lado espiritual não é fácil, como muitos supõem, porque aqui é a razão condicional. Uma condição imposta aos espíritos em transito. Sem merecimento aqui paga muito caro. Uns eram mais leves e outros nem tanto, porque os revoltados espíritos que não acreditam mais em Deus perderam passo a passo as suas recordações. Aí eles se engavetam e passam a cobrar da terra os seus feitos, os seus martírios e suplícios. A terra não os houve mais, somente um vazio no espírito, algo sem tamanho e sem paredes. A terra é como uma casa que abriga os espíritos, ela tem porta de entrada e saída, mas neste mundo espiritual, que estes espíritos estão, não tem nada disso. Para se perder é só cair um pouco mais na sua ingratidão.

 

Eu olhava para aquela cena e me via como eles caso eu não assumisse o meu karma. Se eu encurtasse a minha cruz, a minha escada para transpor o período mais conturbado para um espírito que é a sua encarnação. A terra é o julgo de sua evolução.

 

A mesa deverá receber este povo mal amado, perdidos e despreparados para suas realidades.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

11.03.2017

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