APRENDENDO A INCORPORAR

Salve Deus!

Existem maneiras de incorporação que devem ser analisadas, cada caso é um caso. Mas existe outra forma de incorporação que é especial, de vivo para vivo, e esta técnica não é utilizada pelos seres humanos, pois diverge em grau de força, pois quando o espírito está fora do seu físico ele perde contato direto com o centro nervoso. Fica perdido, pois sofre os efeitos da separação e quando em outro corpo ele também sofre as consequências da mistura de pensamentos.

Eu estou aprendendo esta nova técnica, que não seria bem a incorporação, mas é como se fosse a posse, tomar posse de outro corpo pelo desprendimento simples do espírito separando os sentidos físicos. Tia Neiva conquistou este dom de chegar em outro aparelho pela universalização do seu eu interior. Ela se desprendia do seu físico e vinha espiritualmente tomar posse de outro corpo. Não é como os mentores que já estão sem corpo físico, mas possuindo outro corpo a densidade da matéria deveria se igualar ao corpo sendo projetado. Psicologicamente seria impossível, mas pela espiritualidade tudo é normal.

A técnica dos grandes iniciados é objetiva e direta. A separação se dá pela mediunização de quem será possuído, então, abrindo a aura do aparelho o espírito se desloca para o lado e abre a guarda do físico para outra força se fazer presente. Esta incorporação é um sistema difícil, pois requer de quem vai se transportar ou do transportado um grau de consciência anormal. Muitos aparelhos são tomados e eles ficam apagados, isso é um perigo muito sério. Muitos têm nuances de recordações que alimentam sua fé em buscar respostas, são os médiuns pesquisadores, que não se aquietam com o parco conhecimento.

Então, chegando ao principio da revolução espiritual vejo que tudo se alterna pela capacidade do amor, da luta em prol da verdade e não do misticismo. O que tem aqui em nossa comunidade é muitos místicos e não obreiros da realidade. Viver o misticismo sem se conhecer é um erro das religiões, pois o espírito altera seu estado vegetativo pela imposição das forças. Uma força se impõe sobre um aparelho mediunizado e este por fim abre sua guarda para que outro visitante forme seu aledá. Existe a descompensação do estado natural físico, esfriando o centro coronário e baixando as vibrações do plexo, dizemos, equiparar as duas fontes de energia, a do apará e a do espírito projetado.

Tudo seria incorporação, mas a posse de um corpo trás consequências dolorosas para o espírito viajante, um encarnado em transito. Ele perde sua força resplandecente e após isso ele padece por alguns dias sem força para nada. Fica apático e prefere dormir. Não é o caso do povo Xingu, porque eles têm a força natural de suas mediunidades, são espíritos já desligados do padrão físico. Muitos também perderam este contato pela presença do homem branco em suas tribos, se ligaram ao materialismo e deixaram de seguir seus roteiros.

Eu fui conhecer este processo de incorporação ou posse de outro corpo. Estando desligados do físico nossos espíritos tem que estar acordados da sua verdadeira missão. Não adianta querer fazer este processo sem conhecer a sua mediunidade, ou ter experiências fora da matéria. O processo é diferente do habitual, existem efeitos multiplicadores e devastadores, pois sem consciência o espírito tomador leva com ele o seu carma habitual, jogando em cima do tomado as suas dores. Por isso existe o fechamento da guarda que impede a presença de outro ser. Um obsediado revela um quadro assustador, mas fácil de resolver quando se tem a técnica de dissolução da presença. Para isso basta olhar por cima da aura do enfermo e lá estão registrados em sua memória astral os seus mistérios. Complicado, eu sei, mas ninguém na terra vive sem suas ligações temporais.

Ao deslocar-me acordado em outra dimensão, seguindo o roteiro de minha jornada, eu chego em algum lugar. Lá, onde fui projetado, existem revelações que se diferem dos quadros normais, sim, cada lar tem sua dimensão interligada ao mundo invisível. Se eu encontrar uma abertura mental possível de fazer a comunicação ela se projetará em conformidade do momento, resultando na variação das energias que atuam na infiltração dentro da sintonia. Muitos se lembram de mim em suas vidas, porque estão sendo preparados para um desenvolvimento além, muito além de suas consciências. A impregnação pela leitura é a aproximação do eu no eu, sim, mestres, a Deus pertence nosso coração, e é pela bondade que juramos este principio renovador da fé.

Por amor ou por dor. Isso se chama inconsciência anímica. É quando o espírito se desloca de suas amarras e vai chegando de vez ao seu destino. Pode ser que alguém ou um aparelho receba este fenômeno, mas ele é espontâneo e não tem precisão, pois a dormência apaga os sentidos, não é fenômeno mediúnico, mas de desespero ou um grande amor. Nós podemos fazer isso pela necessidade do nosso momento, mas não tem relação com a técnica de incorporação ou posse.

Ao atingir o quadro que ultrapassa a dimensão de minha visão eu entro na fluidez do destino. Leve como a pluma, sagaz como a serpente e manso como o pombo. A diretriz do grande iniciado, pois sem isso ele não sobrevive na sua dimensão. O saber manejar da espada atravessando os vales negros da incompreensão. Este buraco escuro que carregamos em nosso sol interior é onde tudo fica esquecido, o amor, a vingança, as dores, as revoltas, o medo, a valentia, a cobrança e o pagamento. De vez em quando colocamos lenha nesta fornalha e ela explode em desafetos e equívocos fazendo de nós instrumentos de guerra ou da paz.

Vou deixar aberta uma lacuna para saber o retorno desta apresentação. Até breve.

Salve Deus!

Adjunto Apurê
An-Selmo Rá
10.02.2017

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