DOIS IRMÃOS

Salve Deus!

 

Dois irmãos, mas inimigos mortais na terra e no céu.

 

Subi apreensivo. Uma vibração descomunal, intrigas, violência, desonestidade. Cheguei num plano onde as famílias se reúnem para o conforto dos seus entes queridos, e mesmo sendo da mesma família, estes dois irmãos eram inimigos. Eu acho que eram origens trocadas, porque toda família espiritual se compõe de amor, tolerância e principalmente evolução. Estes dois estão encarnados na terra em outra origem, não são da mesma família, estão ali para um reajuste, para ver se conseguem se amar, e quando se reencontram quebram o pau, não há respeito, não há sensibilidade para mudar este quadro obsessivo. A única forma que a espiritualidade achou foi separá-los, colocar um em cada canto, mas mesmo assim os cutucões se alastram como fogo na rama seca.

 

Quando eu cheguei no mundo espiritual, estes dois irmãos estavam transportados para lá e na mesma sintonia, juras de morte, de traição e de desobediência. Eu fui convidado a entrar para assistir este desequilíbrio, mas não meti meu dedo nesta ferida, pois é coisa deles dois. A família espiritual deles tentava acalmá-los, eles pareciam cegos e surdos, a única coisa que viam era a imagem refletida em suas mentes. Na terra eles vieram em uma origem diferente para que fossem emanados pelo amor de sua mãe. Os gritos ecoavam pela mansão etérea dando a dimensão do ódio que estava em seus íntimos.

 

No primeiro impacto eu levei um susto, mas depois foi diluindo aquela energia, porque na terra eu os conheço e nunca os vi unidos, sempre separados, sempre um querendo tomar do outro alguma coisa. Agora vendo este quadro obsessivo vejo que nunca haverá tréguas nesta caminhada. Quando tudo começa a querer entrar nos eixos acontece algum fenômeno que tira a linha estabilizadora e avança o sinal da discórdia.

 

A mãe espiritual já parecia conformada com tanta falta de amor, de perdão e unificação. O pai, um senhor grisalho de atitude séria, estava sentado em sua cadeira no final de uma longa mesa. Ele só observava estes dois, mas não dirigia sua palavra, pois sabia que jogaria fora um recomeço, já que falar não adiantava mais, então era silenciar para que outros não caíssem no mesmo padrão. Eles não chegaram às vias de fato, mas a energia resultante da descompensação vibracional poderia colocar toda a família em uma série de perigos. Muitos espíritos rondavam esta mansão em busca desta energia negativa, porque lá não tem esta força, então eles elevam da terra em seus perispiritos a energia ectoplasmática do físico. Só vendo mesmo para acreditar. A explosão das forças geram resultados positivos ou negativos, dependendo da forma que são manipuladas.

 

Vou contar uma passagem que eu vi num velório. Eu estava em uma casa, sim, antigamente os velórios eram feitos na casa do mortinho. Colocavam seus pés para direção da porta e ali faziam suas despedidas. O mortinho estava muito impregnado pela morte, não acreditava na vida eterna. Ele não queria acordar, estava absorto pelo silencio. Foi então que o mentor dele fez uma jogada de mestre. Fez com que a família entrasse em desacordo, desequilíbrio e quando eles começaram a discutir formou um campo de força ali mesmo. Negativo e positivo, então o espírito foi lançado no meio daquela energia, daquela vibração da discussão. Ele levou um baita choque acordando imediatamente e tão logo encaminhado para fora do ambiente. A família se acalmou e tudo voltou ao normal. O mortinho já em outra dimensão meio tonto pelo impacto não pode mais ficar preso a este quadro familiar.

 

Agora, destes dois irmãos, eu não digo nada, porque nunca haverá paz entre eles. São origens opostas que assumiram um acordo de evoluírem, respeitando cada um em seu caminho. Basta um cruzar o destino do outro, pronto, está formada a guerra. Agora, eles nasceram em uma família de princípios, mas não se respeitam entre si mesmos.

 

Subi somente para ver e acompanhar o enredo deles, mostrar a verdade, talvez acorde seus íntimos para suas realidades.

 

Quem sabe!

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

09.02.2017

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