QUE LUGAR É ESTE!

Salve Deus!

 

Nas dimensões existem lugares que a gente descobre e fica de cabelo em pé. A minha jornada é cheia de conhecimento, pois retrata o espírito na sua eterna busca.

 

Estive num lugar esquisito. Era como se fosse uma igreja com sua nave, só que dentro dela era tudo escuro e em duas cores, bordo e preto. Havia muitos bancos em madeira escura, o chão era espumado em bordo e no canto, num altar havia uma estátua enorme de uma mulher com um vestido longo bordo. Não dava para ver seu rosto, estava coberto por seus cabelos trançado uma vez na frente. Era mais ou menos uns 5 metros de altura esta estátua em cima de um apoio de uns dois metros e o vestido escorria pelo chão.

 

Ao chegar perto dela eu fiquei com dor de cabeça, não era meu lugar, mas eu fui buscar um espírito da minha linha. Eu tinha que tirar esta jovem de dentro deste lugar, era fora induzida ao erro e eu não podia abrir mão. Ao estar de frente para esta estátua, eu olhei para trás e vi pessoas sentadas nestes bancos, homens e mulheres adorando. Ao voltar eu via como se fossem padres sentados com vestimentas bordo rezando e fazendo pedidos. Eram muitos adoradores. Fui atrás da jovem e tão logo a encontrei e a chamei, mas ela estava no banheiro, e eu a esperei voltar de lá. Chamei várias vezes, mas não me ouvia. Eu queria caminhar mais depressa, mas a lona parecia segurar meus pés, pois era espessa e ao pisar afundava.

 

Não sei se era uma igreja ou algo semelhante. Mas a cada momento ficava mais escuro. As janelas estavam todas tampadas com panos bordos e pretos. Aquilo estava tétrico e assustador. Minha cabeça doía com mais intensidade. Eu tinha que sair dali quanto antes, pois os sons de rezas e pedidos entravam na minha mente como se fosse um martírio, um sofrimento para chegar a não sei o que. Chamei mais e mais à jovem, tínhamos que sair dali, não era o nosso lugar, mas ela não me ouvia. Tive que sair pra fora e esperar até que eu a visse e pudesse chamá-la.

 

Vinha na minha mente casa de São Bartolomeu. Era muito forte a impregnação deste lugar, mas para mim não era coisa boa, havia muita luxuria e imagens diferentes que não contrastavam com o sincretismo religioso. Os espíritos na sua maioria enfermos buscavam a cura, e assim formavam um contingente enorme de necessitados. Não havia libertação, mas quem ali estava ficava prisioneiro deste lugar. Olhando bem no figurino da estatura ela era uma pombagira. Não havia traços de santidade e nem boa energia. Era tudo macabro e em vez de me sentir bem, eu estava ficando doente.

 

Aquelas pessoas estavam adorando um mundo negro, um mundo de superstições e não sabiam. Estavam hipnotizados pela aparência da luxuria e esqueciam que o verdadeiro caminho é a humildade. Cada povo tem aquilo que merece e os senhores dos mundos negros sabem exatamente como oferecer regalias para conquistar as suas necessidades.

 

Eu saí e fiquei lá fora. Minha cabeça parou de doer. Mas minha missão ainda não havia terminado. Não sei mais porquanto tempo esperei e não sei se consegui trazer ela de volta. Tudo ficou meio enrolado e eu tinha em mente que não podia mais ficar. Voltei, só espero que ela venha no meu rastro, na minha sintonia.

 

Nós, quando vamos pra fora do nosso corpo físico, deixamos um rastro de energia que fica fosforescente por onde passamos. Ela fica perdurando por um tempo além para mostrar o caminho de volta. A nossa sintonia fica impregnada neste rastro e os espíritos da mesma sintonia ou afinidade ao cruzar aquele rastro recebem em seu intimo o esclarecimento. Digo, lembram de nós e assim é como se fosse um reencontro. Muitas vezes outros espíritos veem aquele rastro e buscam saber o motivo dele. Aí eles vêm caminhando e encontram vocês. Muitos estão preparados e outros não. Ao chegarem na sua dimensão a energia se cruza em seus plexos que influencia os chakras que movimenta o padrão mental fazendo um desarranjo. Quando a mente desarranja pelo impacto energético os sintomas físicos se alteram e o relógio do sol interior sofre a descarga. Aí é preciso manipular esta energia com trabalhos precisos e necessários para o reequilíbrio emocional. Muita dor de cabeça e calafrios pelo corpo, pois acelera e desacelera o organismo descompassando todo o sistema do corpo físico e do espírito.

 

Como mestre eu conheço a técnica, mas tenho que conhecer a origem desta concentração, se é animal ou espiritual. Sim, pois estamos encarnados e sofremos a noite e o dia, por isso a força dos mundos dinâmicos nos altera para receber os impactos dos choques entre os planos. O plano espiritual se choca com o plano físico, uma forma de movimentar o estado vegetativo dos seres humanos. Enquanto os encarnados dormem sem buscar respostas, os espíritos correm atrás de qualquer porta aberta.

 

Em cada trabalho no templo eu tenho a resposta certa para aquele momento. As forças se movimentam em nosso favor e só conhecendo a sua dimensão é que os sintomas desaparecem. O sol interior é uma usina de força com um poder enorme, mas ele tem que ser alimentado corretamente. Não adianta colocar outro combustível, ele irá sofrer um desgaste.

 

Aqueles seres estavam induzindo aos espíritos uma adoração figurativa, mas com força suficiente para aliciar mais e mais outros que se perderam em suas estradas. Eles iam pela quantidade e não pela resposta. Não havia resposta ali, havia uma sonolência perturbante e inquieta. O arraste carmico desfigurativo das almas penadas.

 

Voltei.

 

Salve Deus!

 

Adjunto Apurê

An-Selmo Rá

08.02.2017

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